“Destacamos que este relatório tem 300 páginas e está disponível para todos mas não responde às perguntas para as quais os portugueses precisam de ter uma resposta, o quem, quando, como e porquê e qual o nexo de causalidade”, assinalou o deputado João Rebelo.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o deputado do CDS-PP considerou “preocupante” que o relatório, passados 266 dias do furto e 155 dias depois da recuperação do material, não defina “o dia próprio e a hora própria em que o roubo aconteceu”, não respondendo “às questões vitais para o apuramento da verdade”.

Na introdução do relatório, intitulado “Tancos 2017: Factos e documentos”, o Ministério da Defesa admite como “evidentemente legítima” a pergunta de “quem, quando, porquê e como perpetrou o furto de material de guerra nos Paióis Nacionais de Tancos”.

Contudo, recomenda que se deverá aguardar “serenamente, para resposta cabal, pelo termo das investigações (que, à data da divulgação deste dossier, ainda decorrem), orientadas por quem de direito, o Ministério Público”.

Afirmando concordar parcialmente com esta visão, no que respeita ao “quem” perpetrou o furto, João Rebelo sustentou que o documento devia identificar pelo menos o “quando e o como”.

Criticando o “atraso” no envio do documento ao parlamento – o ministro da Defesa tinha afirmado na comissão parlamentar em janeiro que iria enviar um “dossier” sobre Tancos em fevereiro – João Rebelo considerou que o ministério procurou no documento “dar a ideia de que não há aqui responsabilidades políticas a assacar ao governo sobre a matéria”.

“Há um sacudir indiscutível de responsabilidades por parte do governo. Lendo este texto, não há nenhuma responsabilidade política assumida ou indiciada”, criticou.

Para o CDS-PP, o assunto “não está fechado”, disse o deputado, reiterando que “não põe de parte todas as possibilidades que o regimento permite”, nomeadamente chamar o ministro da Defesa ao parlamento, os chefes militares e “pessoas envolvidas nas medidas tomadas”.

O deputado sublinhou que algumas das medidas tomadas pelo Governo para evitar que se repitam furtos em instalações militares “ainda não foram implementadas” e advertiu que “cortes nos orçamentos, que têm sido muito espremidos”, ou “cativações de verbas” podem “por em perigo” a concretização das medidas de segurança.

O Exército divulgou no dia 29 de junho do ano passado o desaparecimento de material militar dos paióis de Tancos - entretanto desativados - que foi recuperado pela Polícia Judiciária Militar em outubro, a 21 quilómetros do local.

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