Em tempos a minha irmã deu-me um livro que é a minha cara. Tinha 365 espaços, e a ideia era que, antes de me deitar, eu escrevesse uma palavra que de alguma forma refletisse o espírito desse dia. Reler aquilo ao fim de um ano foi maravilhoso. Mas não é isso que interessa agora.

Falo-vos do livro porque, pensando no dia de hoje, há uma palavra que surge destacada no top das mais escritas nas notícias desta quinta-feira em Portugal. Essa palavra é “Tancos”, claro.

Mas, se no livro que a minha irmã me deu eu já achava que era redutor resumir um dia a uma palavra, por maioria de razão hoje isso me parece até pouco sensato.

Não sendo aqui o objetivo voltar a contar neste resumo tudo o que aconteceu hoje, selecionei três palavras das que apareceriam nos tops também e que às vezes usamos nas notícias como se fossem óbvias - e que, pelo menos para mim, não eram.

São elas:

Prevaricação

Um dos quatro crimes de que Azeredo Lopes está acusado.

Prevaricação acontece quando uma pessoa num cargo político conduz conscientemente um processo em que intervém no exercício das suas funções, com a intenção de prejudicar ou beneficiar alguém.

É considerado o mais grave dos quatro crimes de que o ex-ministro da Defesa está acusado. Pode significar uma pena de prisão de dois a oito anos.

Instrução

É uma fase facultativa quando há processos penais a decorrer. A ideia é avaliar se há indícios para que uma pessoa acusada de um crime seja levada a julgamento.

Ora, Azeredo Lopes disse hoje que vai pedir a abertura da instrução neste caso. Explicou o ex-ministro que “a acusação é eminentemente política”, não havendo “factos e provas a sustentá-la”.

Terrorismo

Um dos crimes de que estão acusados nove dos 23 arguidos no caso do furto e da recuperação das armas do paiol de Tancos. Considera-se crime de terrorismo quando há, por exemplo, uma ação concertada que visa prejudicar a integridade e a independência nacionais - a definição é mais lata e, se tiver curiosidade, pode lê-la aqui. Oito destes nove acusados estão em prisão preventiva.

Voltando ao livro da minha irmã, se eu ainda o estivesse a preencher (e se fosse em versão jornalística), hoje faria batota. Para não fica com um “Tancos” ali escarrapachado sozinho, incluiria pelo menos mais uma palavra: Beatles.

Isto porque hoje faz 50 anos que foi lançado o penúltimo disco da banda. E o Paulo André Cecílio volta “meio século atrás no tempo para contar a história do disco que significou o fim da carreira dos Beatles — sem esquecer a famosa passadeira, claro”.

O meu nome é Margarida Alpuim e com cinco palavras apenas se escreve: Hoje o dia foi assim.

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