Esta sexta-feira, 4 de janeiro, Manuel Luís Goucha, apresentador do programa "Você na TV", anunciou que a direção de programas da TVI decidiu suspender a rubrica "Diga de sua (In) Justiça", da autoria de Bruno Caetano, por "quebra de confiança", assumindo que cabe aos elementos desta direção estar "mais atentos sobre quem convida quem".

Este esclarecimento teve lugar no programa "Deus e o Diabo", de José Eduardo Moniz, em que Manuel Luís Goucha e Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI, marcaram presença.

Manuel Luís Goucha explicou que o convite a Mário Machado partiu de Bruno Caetano, autor da rubrica, e que o apresentador só foi informado do mesmo por volta de dia 27 ou 28 de dezembro, "praticamente três dias antes de ele [Mário Machado] vir ao programa".

"E eu não me recuso a uma conversa — uma conversa que certamente será difícil, mas uma conversa em que procurei assumir o contraditório. Quem viu não pode dizer que eu não fiz o contraditório. Perante afirmações com as quais eu não pactuo e não me revejo fiz exatamente o trabalho de desmontar esses argumentos", diz. "Muitos dos comentários incendiários que surgiram foram de pessoas que não viram a conversa", acrescentou.

Manuel Luís Goucha reiterou que não se inibe "de entrar num debate televisivo ou numa conversa, mesmo que existam ideias perigosas vinculadas por alguém. Eu acho que é assim que se combatem as ideias perigosas em democracia: as ideias perigosas têm de ser combatidas com valores justos e de humanismo que a democracia encerra", argumentou.

Por fim, o apresentado pediu ainda que se combata aquilo que caracterizou como "hipocrisia". "Meus amigos, não sejamos hipócritas, estas ideias que põem em perigo a democracia já não precisam da televisão para singrarem. Elas singram através das redes sociais e plataformas digitais", disse, fazendo referência a Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, que tomou posse no dia 1 de janeiro.

A presença de Mário Machado, líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social, no programa "Você na TV" mereceu duras críticas por parte do ministro da Defesa, João Cravinho. Na sua conta de Twitter, o ministro considerou que “vivemos tempos complexos e é preciso ter a noção que uma atitude destas por parte da estação em causa [numa referência à TVI] não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver as labaredas”.

No programa "Deus e o Diabo", Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI, respondeu ao ministro lembrando-o que "integra um governo que há poucos meses recusou pedir à organização da Web Summit que retirasse o convite a Marine Le Pen para fazer um discurso no evento. Ao senhor ministro pergunto se esta senhora da extrema-direita francesa, que inspira movimento xenófobos em toda a Europa, não cabe também ela na categoria dos incendiários". "Considero que o ministro da Defesa não tem moral para atirar essa primeira pedra", acrescentou.

Já sobre a queixa que o Sindicato dos Jornalistas vai apresentar contra a TVI junto do regulador e da Assembleia da República pela presença de Mário Machado, Sérgio Figueiredo considerou que se trata de um "ataque" do Sindicato ao jornalismo da TVI, "quando o devia defender".

Esclarecendo que "a direção de informação não participa de convites que são dirigidos a participantes de programas de entretenimento", salientou que "a TVI defende a democracia acima de tudo e não defende só dizendo, mas fazendo, fazendo um jornalismo independente e forte. Não há uma democracia forte sem um jornalismo independente e forte", sentenciou.

"A informação da TVI e a TVI consideram que o modelo de sociedade que o senhor Mário Machado defende é repugnante e abjeto. É algo que — sim, é verdade — nos nossos dias representa um perigo para a sociedade", assumiu, alertando porém que não se pode culpar aqueles que diagnosticam um "cancro" já instalado. "Não posso permitir que opinadores inflamados e alguns defensores da moral ataquem quem diagnostica o cancro. Ele já lá está instalado e não fomos nós que o criámos", disse.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) já informou que vai analisar queixas as recebidas por parte de vários telespetadores sobre a presença de Mário Machado, líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social, no programa da manhã da TVI.

Mário Machado, condenado por envolvimento na morte de Alcindo Monteiro, foi convidado no âmbito da rubrica “Diga de sua (In)Justiça”, que tinha como tema “Precisamos de um Novo Salazar?”.

O ex-líder da Frente Nacional esteve preso dez anos, em cúmulo jurídico, por crimes como discriminação racial, coação agravada, posse ilegal de arma, danos e ofensa à integridade física qualificada.

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