Não é a primeira vez que o homem vai ao espaço nem estamos no pico da Guerra Fria, mas o cariz único deste lançamento espacial levou muitos olhos por todo o mundo a colocar os olhos no céu para ver .

Desde 2011 que os EUA não enviavam um voo tripulado para o espaço, mas este será o primeiro a ser feito por uma empresa privada. A SpaceX, de Elon Musk, preparava-se desde 2002 para este momento, mas terá de ficar para o outro dia.

O foguetão que vai propalar a cápsula Crew Dragon, com dois astronautas a comandá-la, deveria deixar o chão às 21h33 de Portugal (16:33 em Cabo Canaveral), desde o Centro Espacial Kennedy, na Florida, até à Estação Espacial Internacional (EEI), mas o mau tempo levou ao adiamento de última hora, conforme foi registado pela emissão em direto da NASA.

"Infelizmente não vamos fazer um lançamento hoje", disse Mike Taylor, diretor de lançamento da SpaceX, aos astronautas da Nasa Doug Hurley e Bob Behnken, acrescentando que o clima não melhoraria até dez minutos depois da hora prevista para a decolagem.

“Vamos desmobilizar o lançamento previsto para hoje devido ao tempo desfavorável no percurso de voo. O nosso próximo lançamento vai ser no sábado, 30 de maio, às 15:22 locais [20:22 em Lisboa]”, confirmou a SpaceX na rede social Twitter, minutos depois de as equipas envolvidas no lançamento terem decretado a impossibilidade de prosseguir com a descolagem.

O lançamento, de resto, estava a ser preparado apesar de apenas haver 50% de probabilidade de poder ocorrer com sucesso, já que o dia tem sido marcado por chuvas, trovões e relâmpagos desde a manhã e o Centro Nacional de Furacões anunciou a formação de uma tempestade tropical na Carolina do Sul, mais a norte.

As más condições climatéricas representaram um risco para os astronautas não só no momento de lançamento, como também no caso da necessidade de uma aterragem de emergência. Podendo esta ocorrer sobre o Oceano Atlântico após a decolagem, também nesta zona têm de estar reunidas condições climáticas mínimas.

Os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley, que estão de quarentena devido à covid-19 há duas semanas, estavam a bordo da nova cápsula Crew Dragon, lançada pela SpaceX, uma ‘start-up’ fundada em 2002 por Elon Musk, criador dos carros elétricos da Tesla, numa operação conjunta com a NASA, a agência espacial norte-americana.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o vice-presidente Mike Pence anunciaram a sua presença no Cabo Canaveral para o lançamento e estavam no local para assistir a esta operação.

A Space Exploration Technologies Corp., fundada com a determinação de mudar as regras do jogo da indústria aeroespacial, conquistou aos poucos a confiança da maior agência espacial do mundo.

A SpaceX tornou-se em 2012 a primeira empresa privada a acoplar uma cápsula de carga à ISS. Dois anos depois, a Nasa pediu que a empresa adaptasse a cápsula Crew Dragon para poder transportar astronautas. "A SpaceX não estaria aqui sem a Nasa", disse Musk no ano passado, após um teste geral da viagem à ISS sem tripulação.

A agência espacial pagou mais de 3 mil milhões de dólares à SpaceX para projetar, construir, testar e operar a sua cápsula e fazer seis viagens espaciais de ida e volta.

O desenvolvimento enfrentou atrasos, explosões, problemas de paraquedas, mas a SpaceX venceu a gigante Boeing. Esta última também recebeu um pagamento da NASA para construir uma cápsula, a Starliner, que ainda não está pronta.

Decidido durante as presidências de George W. Bush (envio de carga) e Barack Obama (envio de astronautas), o investimento é considerado frutífero em comparação com os milhares de milhões de dólares gastos nos sistemas anteriores desenvolvidos pela NASA.

"Alguns afirmaram que é inviável, ou imprudente, trabalhar com o setor privado desta maneira. Não concordo", disse Obama em 2010.  A decisão do ex-presidente enfrentou a hostilidade do Congresso e da NASA.

Dez anos depois, seu sucessor, o presidente Donald Trump, compareceu ao Centro Kennedy para o lançamento. O republicano tenta reafirmar o domínio americano do espaço e ordenou o retorno à Lua em 2024.

A Crew Dragon é uma cápsula como a Apollo, mas do século XXI. As telas sensíveis ao toque substituíram os botões e joysticks. O interior é dominado pelo branco com uma iluminação mais subtil, sem qualquer relação com os vaivem espaciais que foram usados entre 1981 e 2011.

A cápsula deve chegar à ISS, situada a 400 quilómetros sobre o nível do mar, na quinta-feira e provavelmente permanecerá acoplada até agosto.

O objetivo é que a NASA possa enviar os seus astronautas para a Estação Espacial Internacional em voos comerciais dos Estados Unidos e não da Rússia, como acontece desde o final do programa de espacial Atlantis, em 2011.

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