Do universo de inquiridos, 95% entendem que a qualidade da formação universitária que recebem é de boa ou até mesmo excelente qualidade, sendo que um em cada quatro classifica a formação como excelente, de acordo com os resultados de um inquérito aplicado a alunos, professores e funcionários de instituições do ensino superior pela rede Universia, uma rede de universidades e politécnicos ibero-americanos que tem o apoio do banco Santander.

O inquérito, que procurou obter respostas sobre a forma como está a universidade a mudar em Portugal e nos restantes 18 países alvo do estudo, validou 696 entrevistas portuguesas, realizadas online entre 11 de fevereiro e 05 de março.

O nível de satisfação justifica que a maioria afirme que se sente orgulhosa de pertencer à sua universidade e que a recomendaria ao seu círculo mais próximo de familiares e amigos.

No entanto, a grande maioria dos inquiridos afirma que entre as áreas que precisam de ser melhoradas estão a ligação da universidade ao mercado de trabalho e às empresas, dizendo que faltam protocolos, programas de inserção no mercado de trabalho e programas de apoio e bolsas.

As condições do campus onde estudam e dos materiais didáticos à disposição, assim como o acesso à Internet, são, por outro lado, o aspeto que merece menos críticas.

Os alunos portugueses consideram, maioritariamente, que a universidade cumpre o objetivo de formar bons profissionais, desenvolver tarefas de investigação, desenvolvimento e inovação ou formar bons investigadores, mas mostram-se bastante divididos quanto à sua capacidade para formar bons cidadãos e contribuir para o desenvolvimento da região onde se inserem e entendem que falha no objetivo de reduzir desigualdades e promover a coesão social.

Para 71% o objetivo prioritário da universidade deve ser impulsionar a inserção no mercado de trabalho e 49% entendem que os currículos devem adequar-se às necessidades das empresas.

Entre aqueles que devem ser os objetivos de uma universidade, os inquiridos portugueses dão destaque ao papel da formação ao longo da vida e à capacitação para atuar, não apenas pensar.

Aquilo que menos preocupa os inquiridos portugueses é o acesso a formação online e a digitalização dos meios de ensino.

No que diz respeito à investigação, apenas 36% dos estudantes universitários planeia dedicar-se a essa área, seja em ligação à universidade, seja em ambiente empresarial ou outro.

Apesar de apenas um terço manifestar essa intenção, 76% afirma que está a receber as bases suficientes para poder dedicar-se à investigação, ainda que a maioria também entenda que a universidade a que pertence dá mais peso ao ensino do que à investigação.

Entre os entraves apontados à investigação, a falta de financiamento surge à cabeça das respostas (44%), mas a burocracia também é um fator relevante para os inquiridos (16%).

A ficha técnica do inquérito indica que, em Portugal, 51% dos inquiridos são mulheres, 28% têm entre os 18 e 23 anos, 33% entre 24 e 30 anos e 21% entre 31 e 40 anos, sendo 59% universitários, 8% docentes e investigadores. Do total, 79% estudam ou trabalham em instituições públicas.

Entre os estudantes portugueses, 48% estão a tirar uma licenciatura, 38% estão matriculados em mestrado, 8% em doutoramento e 6% em pós-graduação. A maioria dos universitários (84%) estuda em regime presencial, havendo 14% num regime misto de estudos presenciais e online e apenas 3% estudam exclusivamente online.

Apenas 14% dos inquiridos esteve a estudar pelo menos um trimestre numa instituição estrangeira, mas 68% indicam querer fazê-lo.

Saúde, Engenharias e Arquitetura, Ciências Sociais, Ciências Económicas e Humanidades e Artes são as áreas de atividade universitária mais representadas nas respostas portuguesas.

Em termos globais, o inquérito foi aplicado a 9.343 pessoas da comunidade académica de 19 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana e Uruguai.

A educação digital, o modelo de investigação nas universidades e o contributo da academia para o desenvolvimento social e territorial vão estar em debate num encontro de reitores ibero-americanos em Salamanca, que terá o Presidente da República na abertura.

O IV Encontro Internacional de Reitores Universia, uma rede ibero-americana de universidades e politécnicos, decorre entre a 21 e 22 de maio, em Salamanca, Espanha, no Palácio de Congressos e Exposições de Castilla e León, e conta com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão inaugural do evento, ao lado do rei de Espanha, Felipe VI, do secretário-geral da OCDE, Angel Gurría e da presidente da rede Universia e do banco Santander, Ana Botín.

O evento decorre sob o lema "Universidade, Sociedade e Futuro", e será “um espaço de debate em que os peritos de todo o mundo irão aprofundar as bases da Universidade, o seu presente e futuro imediato”, na presença de representantes de academias de países como Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Chile, Peru, México e Colômbia.

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