Nesta altura, em que se assinalam os 30 anos da conquista do troféu, o médio, natural de Matosinhos, recorda com "saudade e muitas memórias" o percurso feito até ao jogo da final, que culminou no triunfo frente à Nigéria (2-0) no dia 03 de março, considerando que o momento foi "o abrir das portas para os êxitos conquistados, depois, pelas seleções nacionais".

"Tudo mudou, e o título em Lisboa [1991] veio confirmar que a conquista de Riade não foi por acaso. Desde então, as seleções têm conseguido vários êxitos, com bons jogadores que vierem revolucionar o futebol português. Diria que Carlos Queiroz [então selecionador de sub-20] fez o 25 de abril no nosso futebol, e é muito gratificante fazermos parte dessa mudança", disse o ex-jogador à agência Lusa.

Tozé garantiu que as três décadas que passaram desde a conquista não turvam as memórias que tem desses tempos, apesar de admitir que, na altura, a dimensão e importância do feito não foi imediatamente assimilada.

"No início não tínhamos bem a noção do que havíamos conseguido. Sabíamos que era algo inédito, um feito, mas não havia a perfeita dimensão. Quando chegámos a Lisboa, essa sensação foi logo diferente, e com o passar dos anos percebemos o quão foi importante para o futebol português este título mundial", considerou o antigo médio.

O capitão português, que só com o selecionador Carlos Queiroz ao lado recebeu o troféu das mãos do Rei Fahd, da Arábia Saudita, perante uma multidão praticamente indiferente, lembrou que a partir de então Portugal ganhou um novo estatuto no futebol mundial, que ainda perdura.

"Atualmente, toda gente espera que Portugal ganhe, que seja um sério candidato, e sabemos que fomos nós que abrimos essas portas. É gratificante fazer parte desse processo, e ver que atualmente já ninguém tem medo de apostar nos jovens talentos", analisou.

Superando diferentes obstáculos na caminhada até ao título, deixando para trás outras seleções com estatuto de favoritas, nomeadamente o Brasil, Tozé considera que o segredo desse grupo esteve nos laços que foram criados entre os jogadores, que potenciaram as qualidades individuais de cada um.

"Portugal, a nível europeu, era quase uma equipa quase banal, mas o Carlos Queiroz revolucionou a forma de jogar com uma metodologia de trabalho inovadora para a altura. Além disso, conseguiu transmitir-nos um espírito de família que nesse tempo não existia nas equipas, e isso foi um dos segredos do sucesso", partilhou o então capitão.

Mas, tal como acontece nas famílias, o passar dos anos encarregou-se de impor algumas distâncias, fazendo com que o contacto entre os elementos do grupo não seja tão frequente como Tozé desejaria, apesar de, recentemente, a Federação Portuguesa de Futebol ter promovido o reencontro da comitiva.

"A não ser com os colegas que estão geograficamente mais próximos ou se cruzam no futebol, o tempo apagou alguma proximidade. É pena, porque esses momentos deviam ser lembrados mais vezes. Já houve quem sugerisse criarmos um grupo nas redes sociais. É o próximo desafio", partilhou.

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