Notícia atualizada às 01h10, de 21 de abril.


De Inglaterra os ecos começaram ao final da tarde, com as notícias a dar conta de que o Chelsea seria o primeiro a abandonar a competição e que o Manchester City iria seguir-lhe os passos. Ganharam tanta tração que até o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, congratulou a decisão — que na altura ainda não estava confirmada.

O primeiro a abandonar o barco foi o Manchester City, mas volvidas algumas horas, em que tudo parecia acontecer ao minuto, a BBC anunciava: todos os clubes ingleses iriam abandonar ainda terça-feira o projeto da Superliga Europeia. E Arsenal, Liverpool, Tottenham Manchester United quase de imediato, oficializavam todos o mesmo.

O último a fazê-lo e já perto da 01h00 da madrugada, foi o Chelsea. "Depois de nos termos juntado ao grupo na semana passada, tivemos tempo para reconsiderar a nossa posição e concluímos que a participação nestes planos não servia os melhores interesses do clube, dos nossos adeptos ou sequer da vasta comunidade do futebol", informou o clube londrino, em comunicado divulgado no site oficial.

"Após vos termos escutado (adeptos), bem como à comunidade alargada do futebol, nestes últimos dias, retiramo-nos da Superliga. Cometemos um erro e pedimos desculpa por isso", pode ler-se num Twitter dos 'gunners', a equipa que expandiu mais o seu comentário na matéria.

Com o anúncio destes abandonos, falta conhecer a posição dos clubes italianos e espanhóis. Ou seja, contas feitas, na Superliga, restam apenas seis dos primeiros 12 clubes anunciados: Real Madrid, Barcelona, Atlético Madrid, AC Milan, Inter de Milão e Juventus.

Ao que tudo indica, esta quarta-feira deverá revelar o futuro destes emblemas e, possivelmente, da competição.

City, o primeiro 

Ao início da noite, através de um comunicado divulgado no site oficial do clube, o Manchester City confirmou que "iniciou formalmente o processo de sair do gripo que estava a desenvolver planos para uma Superliga Europeia". Foi o primeiro clube a fazê-lo oficialmente, ainda que as notícias que chegavam de Inglaterra davam conta de que o primeiro a ter a intenção de o fazer foi o Chelsea.

A notícia vinha à baila no dia em que Pep Guardiola criticou o conceito da Superliga. "Não é desporto se a relação entre o esforço e o sucesso, o esforço e a recompensa, não existe", frisou treinador do Manchester City. Segundo os meios ingleses, a par do que tem acontecido em vários clubes, os jogadores não receberam bem a notícia de que os Citizens iam fazer parte do lote dos fundadores desta nova competição.

No caso do Chelsea, de acordo com a The Athletic, o líder da administração do Chelsea, Bruce Buck, esteve reunido na segunda-feira com os jogadores e equipa técnica para discutir as propostas da Superliga Europeia. A reação dos jogadores e os protestos por parte dos adeptos no exterior de Stamford Bridge, estádio do clube e onde se realizou hoje mais um jogo da Premier League, entre Chelsea e o Brighton, terão contribuído para a decisão.

Cartazes com slogans fortes como "RIP (descanse em paz), futebol 1863-2021", "Criado pelos pobres, roubado pelos ricos" ou "Romano (Abramovich, proprietário russo do Chelsea), tome a decisão certa” deram ênfase à indignação apresentada pelos vários fãs, antes do pontapé de saída entre os londrinos e o Brighton, da 32.ª jornada da Liga inglesa.

Durante a manifestação, o checo Petr Cech, atual diretor técnico do Chelsea, dirigiu-se aos adeptos na tentativa de serenar os ânimos: “Eu sei, eu sei. Dêem-nos tempo.”

Além do Chelsea, também os britânicos do Manchester City, Manchester United, Liverpool, Tottenham e Arsenal, os espanhóis do Real Madrid, Atlético Madrid e FC Barcelona e os italianos do Inter, AC Milan e Juventus divulgaram o projeto na noite de domingo passado, que caiu como uma ‘bomba’ no mundo da modalidade.

Terramoto levou a demissão

Ed Woodward, vice-presidente do Man United, vai sair. Primeiro foi a Sky News a avançar com a notícia, depois seria o próprio clube, em comunicado, a oficializar a saída — embora garanta que só vai acontecer no final de 2021 e já estava programada.

De Itália também chegam ecos que Andrea Agnelli, presidente da Juventus, pode estar na porta de saída. Mas, ao contrário do que aconteceu no primeiro caso, até agora não há qualquer informação oficial quanto ao assunto.

Os doze clubes fundadores — daquela que parece agora condenada Superliga — estiveram reunidos de emergência para reavaliar a viabilidade da nova competição, embora até ao momento não houvesse qualquer informação adicional relativa ao assunto além da reação dos clubes ingleses.

Hoje a FIFA também fez questão de voltar a frisar que os clubes envolvidos no projeto, ao aceitar as condições e a confirmarem a sua participação, teriam de viver com as consequências das suas escolhas.

"Se alguns escolherem seguir o seu próprio caminho, devem viver com as consequências das suas escolhas. São responsáveis por essas escolhas. Isto significa exatamente que ou estás dentro ou estás fora, não podes estar meio dentro e meio fora", enfatizou Gianni Infantino, líder do organismo máximo do futebol mundial, no congresso ordinário que decorre em Montreux, na Suíça.

O discurso reforçou a ideia, mas sem o especificar, de que os clubes e jogadores envolvidos nesse projeto não terão lugar nas competições existentes, com a exclusão das provas nacionais e internacionais — algo que levou os jogadores a ficar de pé atrás em relação à liga, uma vez que esta pode comprometer seriamente o seu futuro desportivo.

No domingo, 18 de abril, AC Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, FC Barcelona, Inter Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham anunciaram a criação da Superliga europeia, à revelia de UEFA, federações nacionais e vários outros clubes.

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