Entre 28 de agosto a 9 de setembro, Portugal vai estar participar no Mundial de Rugby Trophy, competição do escalão sub-20 da World Rugby. O torneio é considerado de nível B, no fundo um patamar abaixo de onde coexistem as superpoderosas Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e, a campeã em título, França.

Em 2017, Luís Pissarra e o seu staff técnico conseguiram guiar os seus sub-20 ao 2.º lugar, perdendo somente para o Japão numa final que terminou quase quinze minutos antes do tempo total, devido às fracas condições de segurança que se fizeram sentir. Uma decisão controversa, mas que alimentou o elenco nacional a voltar mais forte no ano seguinte.

Para tal, era necessário revalidar o título de campeões da Europa, organizado este ano pela própria Federação Portuguesa de Rugby.

A jogar em casa, os jovens Lobos sub-20 fizeram uma caminhada praticamente perfeita, derrotando a Selecção Regional do Norte, Holanda e Espanha para atingir de novo o título. Sofreram apenas um ensaio em três encontros, um registo impressionante.

Com o inédito bicampeonato europeu, Luís Pissarra iniciou a preparação para o Mundial Rugby Trophy: de junho a agosto, reuniu quase 50 dos melhores atletas nacionais a nível sub-20 e preparou-os de modo a agarrarem a oportunidade.

Desse grupo inicial de 46, a equipa técnica optou por 26 nomes que vão representar as cores nacionais na Roménia com os mesmos argumentos do ano passado: raça e dureza na placagem, trabalho consistente e paciente nas saídas curtas, exigente e dotado na formação ordenada e genial na saída com bola na procura dos rasgos individuais.

Entre os vários nomes convocados, destacamos três que devem ser seguidos com atenção durante os jogos de Portugal: Nuno Mascarenhas (talonador do GDS Cascais), João Fezas Vital (asa do GD Direito) e Manuel Cardoso Pinto (defesa da AEIS Agronomia).

Nuno Mascarenhas é um dos atletas mais desenvolvidos para a sua idade, tendo atingido o patamar máximo do rugby português aos 19 anos: Selecção de Portugal “A”. Um talonador (para os que desconhecem o nome, é o atleta que usa a camisola n.º 2 e está na frente, ao meio, nos aglomerados de 8 contra 8) muito duro no contacto, difícil de parar em situações de superioridade ou igualdade numérica, dos melhores no que toca à placagem. Agressivo, leal e com vontade de se impor na disputa física, vai ser fulcral nas fases estáticas (alinhamentos e formações ordenadas) assim como no jogo corrido.

Por falar em jogo corrido, o que dizer de Manuel Cardoso Pinto? Um dos jogadores mais conhecidos em Portugal e Europa pela sua velocidade e técnica, pode fazer a diferença na linha de vantagem. Tem uma imaginação única para criar problemas aos adversários, o seu sidestep é letal e é rápido a aproveitar os espaços concedidos. A jogar na posição de defesa (mais uma vez, camisola n.º 15, é o jogador mais afastado dos seus companheiros durante o jogo) vai ser importante na conquista de metros rápidos, como tem sido pela seleção principal nacional.

Finalmente, João Fezas Vital é o capitão que todas as selecções gostavam de ter. Um asa em crescimento absoluto, é neste momento dos placadores mais completos do rugby português, que rapidamente se levanta e compromete-se na recuperação da oval, articulando-se bem no trabalho defensivo. No ataque é um dos melhores apoios ao portador da bola, surgindo sempre por perto para trabalhar tanto de forma curta ou jogar longo.

Estes três atletas estão dentro dos 26 convocados da selecção nacional de sub-20 e antes de conhecermos a lista final, Luís Pissarra explicou alguns traços importantes da preparação, do que os adeptos têm de esperar dos adversários da alcateia e os objectivos finais do elenco português.

créditos: Luís Cabelo Fotografia

Do grupo de quase 50, restam 26 que serão os Lobos sub-20 no Mundial. Satisfeito com a "alcateia" que constituíram?

Estou bastante confiante com o grupo que escolhemos dos 26 jogadores, acaba por ser sempre uma decisão muito difícil quando vamos dos 46 numa primeira fase, para a seguinte de 35 (que podiam ser mais 2 ou 3) e depois finalmente para o tal grupo final. É sempre uma escolha muito difícil, alguns jogadores podem sentir alguma injustiça nas escolhas, não é fácil tomar estas decisões, mas estamos cá para as tomar. Só com a competição é que podemos ter noção se os jogadores que escolhemos são ou não os certos, mas estou muito satisfeito com as “armas” que temos.

Fase de grupos será minimamente complicada, com um duro teste frente ao Uruguai, Fiji e Canadá. O que esperar de cada um?

A fase-de-grupos comparando com o ano passado, é bem mais complicada. Em 2017 tínhamos no nosso grupo as Fiji e Uruguai, mas depois existia Hong Kong. Esse jogo, no meio dos dois importantes, ajudou a descansar a equipa e dar minutos a outros jogadores. Este ano qualquer uma das equipas é candidata a ganhar o grupo, parece um chavão, mas não há jogos fáceis aqui. Qualquer uma das outras equipas, tirando Portugal, já ganhou este Mundial “B”. A nível de rankings da World Rugby e presenças neste campeonato de sub-20 (ou do Mundo mesmo), estão claramente à frente de Portugal. Contudo, é nestes ambientes que temos de estar e competir e é com estes jogos, habituados a este tipo de atmosfera, que queremos viver. Vai ter de ser jogo-a-jogo, estamos confiantes nas nossas capacidades e prontos para enganar o nosso adversário.

Ao contrário do ano passado, vocês optaram por fazer uma preparação mais "fechada", ou seja, sem jogar contra equipas estrangeiras. Os sinais dessa preparação são positivos?

No que toca a não termos competido frente a equipas estrangeiras, não foi uma opção. O ano passado não fizemos nenhum jogo contra uma equipa de fora, treinámos foi com o Gloucester Rugby no Brown’s no Algarve, mas não fizemos nenhum jogo contra eles. Desde que nos apurámos para o Mundial, tentámos combinar jogos frente a outras federações, só que nenhuma acabou por fechar o acordo. Infelizmente, deveu-se ao facto de todas (Itália ou Roménia, por exemplo) terem pedido para irmos lá jogar. Todavia, estas viagens ficavam difíceis no que toca ao agendamento e à logística. Chegámos a ter o London Scottish interessado em vir a Portugal, mas os custos das viagens eram excessivamente altos. Porém, conseguimos fazer a preparação toda cá, jogámos entre nós por quatro vezes, o que foi bastante bom. Claro que não tem aquele factor emocional de jogarmos contra alguém desconhecido ou o feedback importante de onde podemos estar a errar e como reagir, mas tornou o nosso grupo mais forte e unido, fizemos uma excelente preparação, dura e exigente para eles. O sermos uma equipa habituada a estar nestas provas vai proporcionar-nos um maior respeito e interesse por parte de outros em vir treinar e jogar contra nós. Só uma nota que é importante de referir: houve várias parcerias feitas e estabelecidas pela Federação com Câmaras Municipais de modo a trazer equipas de fora, só que, como já disse, o preço das viagens de avião tornou uma irrealidade essa vinda.

Têm objectivos traçados ou será de "jogo em jogo"? Sentes que a equipa está pronta para o desafio?

Definimos objetivos, sim, iguais ao do ano passado: ficar no top-4. O nosso discurso é jogo a jogo. Sabemos que vai ser difícil, muito duro este Mundial, mas temos noção das nossas qualidades e queremos trepar essa “escada”. O grupo está bastante motivado e confiante, joga um jogo muito positivo, tanto no ataque como na defesa. Nestes meses de preparação conseguimos atingir esse patamar que desejávamos e agora é entrar em campo. Os nossos adversários costumam entrar o campo com o favoritismo, sendo que é assim que queremos estar… para os surpreender mais facilmente. Para além disto, queria agradecer a todos os jogadores que fizeram parte destas convocatórias desde Maio. Os níveis de dedicação e entrega durante todo este tempo demonstra o nível de qualidade que cada um deles tem. O staff da Federação Portuguesa de Rugby foi espectacular durante esta fase do ano, acompanhou-nos sempre e garantiu as melhores condições. O apoio da atual Comissão de Gestão da Federação também foi muito positiva, sentimos um calor humano muito forte e importante nestas últimas semanas. E por último destacar o apoio da Câmara Municipal de Mafra, que nos recebeu de uma forma fantástica e garantiu os treinos/jogos em condições de topo.

Relembrar os 46 nomes iniciais que começaram esta preparação (a bold os 26 convocados): Afonso Carreira, António Puerta, David Costa, Diogo Cardoso, Duarte Azevedo, Duarte C. Campos, Duarte Matos, Duarte Pinto Gonçalves, Filipe Granja, Francisco Rosa, Francisco C. Campos, Francisco G. Henriques, Francisco Silva, Frederico Simões, Gabriel Pop, Gonçalo Santos, Jerónimo Portela, João Fezas Vital, João F. Lima, João M. Lima, José Alexandre Sarmento, José Roque, Lucas Bassani, Manuel Barros, Manuel C. Pinto, Manuel Marta, Manuel Nunes, Manuel Peleteiro, Manuel Pinto, Márcio Pinheiro, Martim Cardoso, Nuno Mascarenhas, Pedro Lucas, Pedro Anahory, Pedro Ferreira, Raffaele Storti, Rodrigo Marta, Ruben J. Pimentel, Sebastião Silva, Simão Van Zeller, Tomás Lambolgia e Tomás Cabral. Um obrigado a todos eles!


Portugal está assim preparado para o desafio que se aproxima com objectivos traçados, onde o grupo forte e consciente das suas qualidades pode fazer a diferença numa prova árdua e difícil.

O Uruguai é sempre um candidato ao título, as Fiji estão desesperadas para retornar ao Mundial de rugby de sub-20 “A” e o Canadá é um desconhecido perigoso que pode tentar aplicar a mesma estratégia que Luís Pissarra deseja colocar em prática: surpreender os seus adversários.

Todos os jogos podem ser vistos na página oficial da World Rugby de Facebook ou no website oficial e Portugal entre em campo nos seguintes dias/horas:

28 de Agosto Portugal-Canada (14h00);

1 de Setembro Portugal-Fiji (16h00);

5 de Setembro Portugal-Uruguai (16h00)

O Rugby World Trophy não só é uma competição com títulos e glória, mas permitirá à selecção vencedora disputar o Rugby World Cup Championship em 2019. Estará Portugal pronto para defrontar os Junior All Blacks? Primeiro há que passar pelos teritos do Uruguai, os flying fijians das Fiji e os canucks do Canadá.

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