A festa começou cedo para milhares de adeptos que se concentraram hoje junto ao estádio de Wembley, em Londres, em antecipação da final do Euro2020 de futebol, entre Inglaterra e Itália.

Um tapete de latas de cerveja pisadas e vidros de garrafas partidas cobriam o caminho de acesso ao estádio de Wembley, várias horas antes do pontapé de saída, às 20:00, refletindo o ambiente de antecipação.

“Football is Coming Home” [O futebol vai regressar a casa] é o canto favorito, mas outros são repetidos em coro, como “We’re Going to Wembley / que sera, sera” [Vamos a Wembley, o que quer que seja será].

Além das inevitáveis camisolas oficiais com o brasão dos três leões e as bandeiras de São Jorge (brancas, com uma cruz vermelha), vários adeptos foram mais longe, vestindo-se de cavaleiros medievais.

“Estou muito ansioso. Vim com o meu filho e a minha nora. Não perdia isto por nada, pode ser a última oportunidade na minha vida”, disse à agência Lusa o inglês Steve, de 64 anos.

Foi há 55 anos a única vez que Inglaterra esteve numa final de um torneio internacional de futebol, no Mundial de 1966, que venceu frente à Alemanha, por 4-2, tinha Steve apenas nove anos.

Mas o privilégio de estar neste evento histórico, contou à Lusa, teve um custo: 1.500 libras (1.760 euros) por bilhete.

Muitos dos adeptos que circulam no acesso ao estádio, a maioria jovens rapazes, não tem bilhetes e apenas veio apreciar o ambiente.

O estádio de Wembley tem capacidade para 90.000 espetadores, mas foi limitada a 65.000 por causa de restrições devido à pandemia covid-19, quase o triplo do número permitido na fase de grupos, quando só assistiram aos jogos 22.500 pessoas.

A maioria dos bilhetes, com preços entre os 95 e 945 euros, foram vendidos com muita antecedência, mas a qualificação de Inglaterra para a final resultou numa corrida aos ingressos, havendo notícias de pessoas pedirem mais de 40.000 euros por entrada.

Cerca de 1.000 adeptos da Itália viajaram para Londres, no âmbito de um acordo entre o governo e a UEFA, permitindo que assistam à final contra a Inglaterra sem precisar de cumprir o isolamento de 10 dias exigido aos europeus à chegada a Inglaterra.

Estes adeptos vão ser mantidos em grupos isolados, para reduzir o risco de transmissão do novo coronavírus, e só poderão permanecer no território britânico durante 12 horas, pelo que chegam e partem do Reino Unido no domingo.

Estima-se que 15% da capacidade do estádio, ou seja, cerca de 10.000 dos 65 mil espetadores, sejam italianos, a maioria residentes no país, onde vive uma comunidade de meio milhão de emigrantes daquele país.

Como são visitantes, os adeptos italianos, a maioria com camisolas azuis da seleção nacional, entraram mais cedo no estádio, logo ensaiando gritos de apoio como “vitoria, vitoria”.

Milhões de outros britânicos começaram também cedo a juntar-se em zonas de fãs, bares ou em casas por todo o país, esperando-se uma audiência televisiva superior aos 27,6 milhões de telespetadores que assistiram à meia-final na quarta-feira entre Inglaterra e Dinamarca (2-1, após prolongamento).

Ao longo do dia foram partilhados nas redes sociais relatos de filas para entrar em ‘pubs’ a formarem-se antes das 07:00, apesar de os bares apenas abrirem às 12:00 e os pontapé de saída só estar marcado para as 20:00.

A Federação Inglesa de Futebol, bem como o selecionador nacional, Gareth Southgate, e o primeiro-ministro, Boris Johnson, apelaram aos adeptos no estádio que moderem o comportamento e mostrem respeito pelo adversário.

No sábado, a UEFA anunciou ter multado a Inglaterra em 30 mil euros devido à “utilização de um laser por parte dos adeptos, utilização de fogo de artificio e distúrbios causados pelos adeptos durante o hino”.

Pouco antes das 20:00 também está previsto que a esquadra de aviões 'Red Arrows’, da Força Aérea, passe por cima do estádio, deixando rastos de fumo vermelho, brancos e azul no céu, as cores do Reino Unido.

(Notícia atualizada às 18:35)

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