Mousasi é atualmente o número cinco do "ranking" de lutadores na categoria de Peso-Médio (até 84 kg) no UFC (sigla para o Ultimate Fighter Championship, principal promotor de MMA - Mixed Martial Arts/Artes Marciais Mistas - no mundo) e tem um combate agendado para dia 8 de abril, em Buffalo, no estado de Nova Iorque.

O seu combate é um dos principais do evento e uma vitória poderá aproximá-lo de uma luta pelo cinturão dourado que coroa o campeão da divisão. Mais: vai lutar contra um ex-número um, Chris Weidman, que vem de um violenta derrota por TKO (nocaute técnico) contra Yoel Romero e quer recuperar o estatuto de melhor do mundo. Não é de estranhar, portanto, que devido à lei promulgada por Donald Trump, os fãs da modalidade estejam na expetativa e num alvoroço para perceber se o combate se realiza ou não.

O esperado é que Mousasi combata no UFC 210. Mas desde 27 de janeiro que vigora nos Estados Unidos um decreto-lei sobre a proteção da nação contra a entrada de terroristas estrangeiros, que proíbe durante 90 dias a entrada de cidadãos de sete países considerados de risco por Washington: Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen. Portanto, até o próprio lutador não tem a certeza se vai estar presente no evento.

"O UFC está a trabalhar nesse sentido. Os advogados estão a tratar do assunto juntamente com o departamento que trata dos vistos [de entrada nos EUA]", esclareceu Mousassi ao programa MMA DNA. "Terei que esperar. Vão-se alterar algumas coisas nas próximas semanas devido aos vários protestos contra a medida. Vou ter que esperar e ver no que dá", disse.

Aos 31 anos, Gegarde Mousasi é um lutador experiente e que ganhou os seus últimos quatro combates no UFC. Nasceu no Irão, em Teerão, mas a sua família mudou-se para a Holanda quando este ainda era criança para fugir da guerra no Golfo Pérsico, quando o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Irão, em 1980. Tem, por isso, dupla nacionalidade.

"A regra alega que se nasceste no Irão, és uma ameaça. Vai arruinar a relação de ambos os países. Acho que os Estados Unidos estão a ir pelo caminho errado", esclareceu o lutador no mesmo podcast.

Esta quinta-feira, em declarações à FOX Sports, a manager de Mousasi disse que apesar de ainda não existirem informações concretas do caso, é esperado que o combate acabe por se realizar sem qualquer percalço. "Estamos atentos e a par da situação. Estamos confiantes que a luta vai acontecer", referiu.

O decreto-lei em questão tem estado sobre grande escrutínio desde que Trump assinou oficialmente o documento. Os múltiplos protestos, um pouco por todo o globo, levou a que a sua administração disponibilizasse esta semana informação adicional sobre o assunto para esclarecer quaisquer dúvidas que possam existir sobre quem é que pode ou não viajar para os Estados Unidos.

É no seguimento deste esclarecimento que está visado que quem possui um passaporte com dupla nacionalidade válido, sem que o segundo país esteja na lista dos sete países abrangidos pelo decreto-lei, está apto a entrar no país. Tendo nacionalidade holandesa, Mousasi não terá, à partida, problemas legais para viajar e entrar no octagonal no próximo dia 8 de abril.

Ainda assim, o departamento legal do UFC está a seguir bem de perto este caso, tal como outras situações semelhantes que possam decorrer com outros atletas que fazem parte da promotora.

"Estamos a par da proibição federal. Estamos a analisar várias situações, incluindo a hipótese de apresentar uma ação judicial. Estamos a monitorizar e vamos agir no sentido de assegurar que os nossos lutadores e trabalhadores possam deslocar-se para os sítios onde tem de ir para competir e fazer o seu trabalho", referiram os responsáveis da UFC.

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