Não, este não vai ser um artigo sobre os grandes momentos da história do All-Star. Não vamos recordar o MVP partilhado de Shaquille O'Neal e Kobe Bryant em 2009, que terá servido para promover a paz entre as duas lendas dos Los Angeles Lakers; nem vamos lembrar a recuperação fabulosa da equipa da Conferência Este em 2001, quando Allen Iverson pegou no jogo, marcou 15 pontos nos últimos nove minutos da partida e virou uma desvantagem de 21 pontos para um triunfo por 111-110; nem vamos reviver o All-Star de 1992, em que Earvin "Magic" Johnson voltou da reforma - tinha anunciado que era seropositivo meses antes - e assinou uma das prestações mais memoráveis da história do jogo.

Neste artigo também não vamos escrever sobre a exibição de Vince Carter no concurso de afundanços de 2000, os 19 triplos consecutivos de Craig Hodges em 1991 ou o "aley-oop" à tabela para si mesmo de Tracy McGrady em 2002. Não, este artigo não é sobre esses grandes momentos da história do All-Star. Este artigo é sobre outros (pequenos) momentos que, no entanto, vão viver para sempre na memória dos adeptos de basquetebol.

O hino mais «cool» de sempre

1983, Los Angeles. É provavelmente a melhor versão de sempre do hino norte-americano. É certamente a mais "soul" e a versão com mais estilo. Marvin Gaye apareceu dentro das quatro linhas, de óculos escuros e fato impecavelmente impecável, e fez magia com a voz. Até mesmo quem não gosta do "The Star Spangled Banner" consegue ficar indiferente. Num evento em que a música tem um papel cada vez mais importante - lembram-se da performance fabulosa dos The Roots na época passada? -, Marvin Gaye foi o verdadeiro MVP.

Sha(qui)ll(e) we dance?

A NBA gosta de caprichar na apresentação dos jogadores, no jogo All-Star. No entanto, em 2009, Shaquille O'Neal quis ser diferente e entrou ele mesmo em contacto com os Jabbawockeez para fazer uma brincadeira que acabou por se tornar num dos momentos mais hilariantes de sempre. O antigo poste pensou na coreografia, explicou ao famoso grupo de dança o que pretendia, treinou os "moves" e o resultado foi espectacular. É a melhor apresentação de um jogador num jogo das estrelas.

O melhor passe da história dos passes

Se pesquisarem o nome de Jason Williams no Google vão encontrar duas expressões nos resultados: "white chocolate" e "elbow pass". O antigo base dos Sacramento Kings tinha o gingar doce que lhe deu a alcunha e fez aquele que será, porventura, o melhor passe de sempre durante o jogo dos rookies, em 2000. Uma coisa é certa: este é o único passe da história que não deu cesto - obrigado por teres feito falta, James Posey! - que aparece em tudo o que são vídeos de highlights.

Leva este casaquinho, Larry, que pode estar frio

contámos aqui a história de "trash talk" de Larry Bird, no All-Star Weekend de 1986, quando perguntou aos outros participantes do concurso de lançamentos de três pontos qual deles ia ficar em segundo lugar. Dois anos depois, o mítico jogador dos Boston Celtics foi mais longe e ganhou o mesmo concurso (pelo terceiro ano consecutivo) sem nunca despir o casaco de aquecimento! Terá sido a mãe de Larry que lhe disse para se agasalhar melhor antes de sair de casa?

Uma questão de confiança

1987 ofereceu-nos um dos jogos mais competitivos da história do All-Star Game. E se há alguém que quis ganhar um jogo All-Star foi Rolando Blackman. Com poucos segundos para jogar no quarto período, o jogador dos Dallas Mavericks penetrou pela linha final, encarou três defensores que lhe apareceram pela frente e foi "atropelado" na tentativa de lançar ao cesto. Dirigiu-se para a linha de lance livre, marcou o primeiro e, ao lançar o segundo, com a bola ainda no ar, gritou "Confidence, baby. Confidence!". A borracha laranja caiu no cesto, o jogo foi a prolongamento e o Oeste venceu mesmo.

O "trash talk" que todos queriam ouvir

Michael Jordan e Kobe Bryant nunca se defrontaram com ambos no seu melhor, mas tiveram um frente a frente que fica para a história e não é pelo que fizeram do ponto de vista técnico. No All-Star Game de 2003, o último de um quarentão Jordan na liga, a NBA gravou uma conversa dentro das quatro linhas entre ambos e só a divulgou dez anos depois. A conversa, a roçar o "trash talk" é divinal. MJ fala do facto de ter mais anéis de campeão, o "Black Mamba" responde adivinhando os movimentos que Jordan ia fazer. Uma amostra da competitividade que definiu as carreiras de dois melhores basquetebolistas de todos os tempos.

Não sabemos o que nos reserva a edição de 2018 do All-Star Weekend. Um "atirador" sem falhar um único lançamento no concurso de triplos, um afundanço por cima de um autocarro de dois andares ou um MVP para Al Horford no jogo das estrelas - qual delas a mais improvável? -, mas haverá certamente uma ou outra destas (pequenas) estórias que, não fazendo manchetes, ficam na nossa memória para sempre.

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