A notícia caiu que nem uma bomba. Quando, a uma semana do início da temporada, os San Antonio Spurs anunciaram que o base titular Dejounte Murray tinha sofrido uma lesão grave num joelho, durante um jogo de pré-época, poucos dias depois de se conhecer que o "rookie" Lonnie Walker IV ia falhar, pelo menos, os dois primeiros meses de competição, também devido a lesão, as esperanças dos adeptos dos Spurs, já desiludidos após o caso Kawhi, caíram por terra. Sem contar com o francês Tony Parker, entretanto recambiado para Charlotte, Gregg Popovich tinha um problema... de base: os únicos bases disponíveis para começar a época eram os inexperientes Bryn Forbes (nas duas épocas anteriores, foi titular 12 vezes em 116 jogos) e Derrick White (apenas 17 jogos em 2017/18, como suplente).

Os primeiros tempos foram particularmente duros. Nos 25 jogos que abriram a fase regular, os Spurs somaram 14 derrotas e o pessimismo instalou-se. Mas coach Pop tinha algo na manga... pela enésima vez. A equipa técnica estudou os jogadores que tinha à disposição, testou várias fórmulas e decidiu mudar um pouco a rotação. O extremo Dante Cunningham passou de titular a jogador de fundo do banco, o base Derrick White saltou para o cinco inicial e o letão Davis Bertans ganhou minutos na segunda unidade, juntando-se a outros dois lançadores temíveis: Patty Mills e Marco Belinelli. Dezoito jogos depois, os Spurs celebraram 14 vitórias e já estão no sexto lugar da conferência Oeste, a apenas um triunfo do terceiro posto. Em resumo, desde 7 de dezembro, são a equipa com o melhor registo de toda a NBA.

Se olharmos em detalhe para esses dezoito jogos, em que os Spurs festejaram importantes vitórias sobre Philadelphia 76ers (27 pontos de diferença), Toronto Raptors (+18), Boston Celtics (+9) e Denver Nuggets (+8), concluímos que as alterações promovidas por coach Pop transformaram a equipa. Para a sua melhor versão possível. Um cinco inicial que tira proveito da capacidade anotadora de DeMar DeRozan e LaMarcus Aldridge, baseado em ataques que acabam invariavelmente em lançamentos de meia distância, e mais capaz de esconder as fragilidades da defesa do bloqueio directo de Aldridge devido à maior disponibilidade de Bryn Forbes e sobretudo Derrick White de limitar a acção dos «ball handlers» adversários. E um banco que joga rápido, fluido, com vários "atiradores" de longa distância.

Os números provam que as alterações promovidas foram boas. Comparando os primeiros 25 jogos da época (11v-14d) com os mais recentes 18 encontros (14v-4d), os Spurs passaram do 10.º melhor registo no ranking da eficiência ofensiva (109.2 pontos por cada 100 posses de bola) para o melhor ataque da liga (116.9) e da 2.ª pior eficiência defensiva (113.4 pontos sofridos por cada 100 posses de bola) para a 3.ª melhor defesa (103.6). Melhor ataque e terceira melhor defesa da NBA!

Para além disso, os Spurs foram, desde 7 de dezembro, a melhor equipa a lançar ao cesto (51.1%, bem acima dos 48.6% dos Indiana Pacers), a melhor equipa a lançar de três pontos (44.1%, bem acima dos 39.2% dos Sacramento Kings), a equipa com a melhor Effective Field Goal Percentage (57.3%) e a equipa com a melhor True Shooting Percentage (61.0%). Mas há mais. No mesmo período, foram a 5.ª equipa da liga com mais assistências (26.9), 3.ª nos turnovers (12.5), 2.ª nos ressaltos defensivos (37.9) e estão no top-10 de vários rankings que espelham a melhoria do desempenho defensivo: 3.ª nas percentagens de lançamentos total e de três pontos permitidas aos adversários (42.8% e 32.8%), 3.ª nos pontos sofridos na área restrictiva (42.7), 5.ª nos pontos sofridos após turnovers (14.1) e 8.ª nos pontos sofridos em contra-ataque (12.6).

A tal mudança na rotação fez toda a diferença. Nos últimos 18 jogos, os titulares marcaram mais 7.5 pontos por partida e subiram a eficácia de lançamento em 5.7% (de 46.5% para 51.7%), enquanto os suplentes aumentaram o acerto nos lançamentos de três pontos em 10.3% (de 36.9% para 47.2%). DeRozan está cada vez mais confortável no seu papel e regista máximos de carreira em ressaltos (6.1) e assistências (6.4). E Derrick White tem sido o joker que personifica a mudança para melhor do conjunto do Texas. Para além de ser um especialista defensivo, subiu de 5.9 pontos de média nos primeiros 25 jogos da temporada para 16.8 (com eficácia de lançamento de 66.7%) nas últimas oito partidas.

A duas semanas de completar 70 anos de idade, Gregg Popovich continua a mostrar diariamente que é o melhor treinador da NBA das últimas duas décadas e, na opinião de muitos, o melhor de sempre na liga norte-americana. A vitória desta quinta-feira sobre os Oklahoma City Thunder (154-147 após dois prolongamentos, com 16 triplos em 19 tentativas) foi a 1222.ª da carreira do lendário Pop, que o coloca no terceiro lugar da lista de técnicos com mais triunfos na história, apenas atrás de Don Nelson (1335) e Lenny Wilkens (1332). Um autêntico mestre no xadrez dos treinadores que está a provar, esta época, ser capaz de ultrapassar um dos desafios mais exigentes da sua carreira, num autêntico xeque-mate a todos os cépticos que têm a mira apontada ao conjunto de San Antonio. Para esses, uma mensagem: calem-se e façam a devida vénia.

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