Soa o apito inicial e o árbitro pede às bancadas para ficarem em completo silêncio. Aqui não há gritos, nem claques de apoio. O melhor adepto de uma partida de futebol de cinco é aquele que fica em silêncio.

Esta é uma das duas categorias de futebol que se jogam nestes Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. No futebol de sete jogam pessoas com paralisia cerebral, no futebol de cinco é a vez dos cegos.

O Brasil está na luta pelo pentacampeonato paralímpico nos jogos no Rio de Janeiro e é difícil conter uma claque de apoio quando se corre para o penta. O entusiasmo nas bancadas transforma-se no silêncio assim que o jogo começa. Os jogadores, com diferentes graus de cegueira, jogam vendados para não existirem diferenças entre eles. Só o guarda-redes tem visão e são os seus gritos que vão pautando a emoção do jogo, como se de um GPS se tratasse. "Para a esquerda, vai vai vai", ouve-se no estádio.

De um lado o Brasil do outro a seleção da Turquia. São oito as equipas em jogo pelo ouro paralímpico.

A bola tem um guizo, essencial na orientação dos jogadores. Os ouvidos estão atentos a qualquer movimentação, por isso é tão essencial o silêncio e qualquer ruído pode estragar uma jogada. Para a frente é o caminho, a bola segue nos pés e a equipa que defende vai metendo as mãos à frente do corpo para procurar o atacante da equipa adversária.

O campo tem as dimensões iguais às do futsal, daí ser tão importante a técnica e os passes. Na bancada, estão todos bem atentos à espera de uma jogada que dê origem ao golo.

Depois de uma série de dribles e fintas, a bola entra no fundo das redes. O guarda-redes não consegue acompanhar a força do remate. Agora sim: É altura dos gritos de celebração vindos da bancada. 

Os adeptos brasileiros causaram surpresa nestes Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Os jogadores de futebol de 5 não estavam habituadas a ter um público tão empolgado com o jogo, como se está a revelar o público brasileiro.

Como nos outros desportos, também existe uma estrela nesta modalidade. É brasileiro, veste a camisola 10 e é conhecido por Ricardinho. Foi escolhido como o melhor jogador da modalidade em 2014. Os brasileiros que se deslocam a este recinto para acompanhar o torneio paralímpico querem ver um golo da sua estrela, mas acima de tudo o que querem ver é o Brasil revalidar o título. 

"Quero e espero que continue assim, a todo vapor, e espero que os adeptos celebrem connosco outro título", disse Ricardinho.

Katia Brum foi uma das brasileiras que comprou bilhete para ir assistir a jogos desta modalidade, para ela "é muito difícil" manter o silêncio. "É a primeira vez que vemos uma partida de cegos e é muito emocionante." Por opção não trouxe o seu pai para ver a partida porque "ele está acostumado a gritar, e ser o 12º jogador.

Neste futebol para deficientes visuais são cinco contra cinco e, desta vez, ganhou o Brasil por duas bolas a zero.

Em vista está uma final Brasil-Argentina, e, aí, os jogadores dizem que vai ser dificil controlar os adeptos habituados à rivalidade entre as duas seleções e que provavelmente não vão aguentar os 50 minutos num perfeito silêncio.

O Futebol de 5 é desporto paralímpico desde Atenas 2004, desde então o Brasil nunca perdeu uma final paralímpica.

O Brasil disputa hoje o acesso à final contra a China, num jogo que pode ser acompanhado no Youtube do Comité Paralímpico Internacional.

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