A obsessão sobre como será o mundo no futuro é uma característica do ser humano. A casa que teremos amanhã e temos hoje, não fica fora desta equação na qual arquitetos e designers desempenham papel de visionários, antecipando tendências, ajudando à transformação e adaptação.

O conceito de casa, tal como a entendemos, tem vindo a mudar. O típico “abrigo” das nossas necessidades básicas - comer, beber e dormir -, ou as quatro paredes onde só vivíamos tem vindo a dar lugar a algo mais que acrescenta outro sentido à expressão  “a nossa casa”. Ou ao “sentir-se em casa”.

Recuando uns anos, “se antes era vista como um espaço funcional e privado”, hoje tem uma “conotação emocional muito mais forte”, esclarece Helen Duphorn, diretora-geral do IKEA em Portugal. Deixou de estar “confinada a quatro paredes”, transformando-se no “espaço onde recebemos e mantemos as relações, os objetos, as atividades que mais gostamos”, acrescenta.

Helen Duphorn define, assim, sumariamente, o seu conceito de casa. Ela que vive em Alcochete, numa pequena habitação no meio da vila. “Um sítio lindo, rodeada de pessoas simpáticas, mais barato e com vista de Lisboa”, sorri.

A escolha por reduzidas dimensões não é inocente. “As pessoas estão saturadas de limpar e organizar áreas grandes. E já para não falar de pagar o preço elevado desses m2 todos”, sublinha.

Vivemos tempos de “economia da partilha”. A diretora-geral da IKEA dá o exemplo dos “carros e outros meios de transporte”. Admite que é igualmente uma realidade para os novos habitantes destes “novos tetos”. Embora não tenha a certeza se teremos “famílias a partilharem casas”, dá, no entanto, uma garantia: “as habitações serão mais pequenas”, em especial nos centros das cidades onde a partilha acontecerá com naturalidade.

Os lares de hoje deverão ser mais “modeláveis ao que as pessoas estão a fazer no momento” ou “às mudanças de agregado familiar”. Por isso, diz, teremos que saber “expandir e reduzir as peças de mobiliário”, frisa. “Adaptar” é, assim, a palavra-chave deste iôiô domiciliário.

“A casa passou a ser uma extensão do indivíduo, dos seus sonhos, necessidades e expectativas”, o que significa que se tornou “mais flexível e descontraída”, resume Helen Duphorn.

Helen Duphorn, diretora-geral do IKEA em Portugal
créditos: Paulo Rascão | MadreMedia

O quarto e a cozinha. O início da disrupção do gigante sueco do mobiliário

Se o mundo está a mudar, se os “consumidores mudaram”, o universo do retalho também acompanha a tendência. E no meio da mudança, o gigante sueco do mobiliário procura uma disrupção, não de um produto nem da indústria, mas de si mesmo. “Tentamos uma disrupção de nós mesmo”, assume Helen Duphorn.

E por falar em tendências, inovação e mudanças no comportamento dos consumidores, o rápido crescimento do mercado IoT (Internet das Coisas) entrou também dentro das quatro paredes. Para a representante em Portugal do gigante sueco do mobiliário “nada é impossível”, garante. Nem mesmo um tapete que faça parecer que estamos a caminhar na relva. “Temos um. Não é de erva, mas sente-se como erva”, sorri.

Reconhecida globalmente como a empresa das enormes caixas (superfícies) azuis situadas a 15-30 minutos dos grandes centros urbanos nas quais os consumidores se sentam nos sofás e rebolam nas camas, abrem cortinados com vista para uma parede, andam de forma labiríntica tal como ratos em experiência de laboratório e param para reabastecer no restaurante, “a companhia está a transformar-se”, garante.

Depois do ponto físico de venda e do e-commerce, a multinacional inaugurou, em Portugal, um novo conceito de loja: “IKEA Design para todos”.

Sintra (Fórum Sintra) servirá de barómetro deste conceito onde ao propósito de comprar não se soma o de levar as compras diretamente para casa. “Com a ajuda de equipas especializadas quem aqui vier a esta loja, irá procurar inspiração para decorar quartos e cozinhas”, descreve. “Dormir e comer são as partes fundamentais das casas, logo são o nosso foco. Mas podem comprar tudo o mais”, optando depois pela entrega em casa ou recolha numa das lojas IKEA (Alfragide, Loures, Loulé, Matosinhos e Braga).

“O propósito é estar mais próximo das pessoas”, atira Helen Duphorn, reforçando que é assim que interpretam o mundo em mudança. “O consumidor tem menos tempo e mais acesso à informação. E querem que quem está no retalho esteja mais próximo”, exorta.

A audiência de Sintra ditará o sucesso, ou não, da implementação desta tendência em Portugal, onde, se for o caso, pode ir “para os centros das cidades” embora esteja, por agora, focada na área de Lisboa, podendo depois, sim, ser exportável para o resto do país.

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