Imagem da página de Facebook da Camisaria Machado.

A Camisaria Machado mantém-se discreta e simples no rés-do-chão de uma casa situada em Joane, concelho de Vila Nova de Famalicão, mas é o local escolhido pela elite política portuguesa, bem como por personalidades "conhecidas e influentes" de outras áreas, para fazer camisas por medida, contou a família que gere o negócio há 30 anos.

"Vestimos metade da Assembleia da República", referiu Lúcia Machado, esposa do fundador da camisaria que ganhou António Costa como cliente através da filha que mora em Lisboa e que nos tempos extratrabalho vai aos Ministérios tirar medidas para enviar ao pai.

Para Alcindo Machado, 62 anos, o segredo da procura está "na qualidade, na relação de confiança com o cliente e na importância dada a cada pormenor" da camisa, que custa entre 45 a 100 euros. É ele quem faz o corte antes de passar a peça, seja de um secretário de Estado, de um eurodeputado, um autarca ou de gente ligada ao desporto, medicina e advocacia, para as mãos de Lúcia (61 anos) e da afilhada Paula (44 anos) que a cosem.

Fazem em média 12 camisas por dia, 60 por semana, tendo uma faturação a rondar os 40 mil euros/ano que pretendem aumentar mas sem sacrificar, garantiram, a "tradição e a qualidade" nem a escolha de produtos portugueses: os tecidos e botões são todos de fábricas do Vale do Ave. A estrutura empresarial fica completa com Tiago Machado, 34 anos, um dos três filhos do casal, que apesar de ser músico está agora a aprender o ofício do pai e a trabalhar na modernização e projeção do negócio.

A melhoria do website, para que o cliente possa fazer encomendas ‘online' - inserindo as medidas do corpo, escolhendo o tecido, os punhos, os colarinhos, o bolso e se quer com ou sem monograma - é uma das ideias que Tiago Machado pretende concretizar a curto prazo. O agora aprendiz de alfaiate mantém o ensino da música como atividade profissional mas percebendo, conforme disse aos jornalistas numa visita integrada no roteiro Made In criado pela autarquia de Famalicão para divulgar e apoiar os exemplos de arrojo empresarial, o "legado único" que tem em casa, decidiu "abraçar o desafio" de se dedicar ao têxtil e à tradição. "Nunca estamos satisfeitos. Queremos sempre melhorar. Mas acima de tudo o que importa é preservar algo que é fruto da dedicação total, do compromisso com o trabalho, dos meus pais", apontou Tiago Machado.

Já o presidente da câmara de Famalicão, Paulo Cunha, confidenciando que também é cliente da Camisaria Machado, considerou ser esta uma das histórias que mostra a "força", o "nome" e o "reconhecimento" que este concelho do distrito de Braga tem na área têxtil. "Podemos chamar a este projeto a alta-costura de Famalicão", referiu o autarca, mostrando-se satisfeito pelo facto de o setor, e mais especificamente este negócio, estar a ganhar fãs entre as gerações mais novas.

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