De acordo com uma nota da agência norte-americana, o 'rating', dois níveis acima do 'lixo', resulta do equilíbrio entre as "forças institucionais, de fortes indicadores de governança e do rendimento 'per capita'" com os "altos níveis de dívida pública e fracas finanças externas".

Já a perspetiva estável hoje afirmada pela agência reflete a visão da Fitch de que "depois do forte crescimento do ano passado, a dívida pública irá voltar a uma trajetória descendente, sustentadas em melhoradas perspetivas de crescimento, condições de financiamento favoráveis e o compromisso do Governo com a prudência orçamental".

Na nota de hoje, a Fitch dá conta de que Portugal foi "fortemente atingido em 2020", lembrando que a "pequena e aberta economia portuguesa, com a sua alta dependência do turismo, experienciou uma segunda vaga significativa de casos de covid-19" a partir do final do último trimestre de 2020.

No entanto, com a melhoria da situação epidemiológica "abriu o caminho para a reabertura da maioria das atividades económicas", prevendo a Fitch que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresça 3,5% em 2021 e 4,1% em 2022, abaixo das previsões do Governo (4,0% e 4,9%, respetivamente).

Quanto ao turismo, a Fitch não espera que recupere para níveis pré-pandemia antes de 2023, o que "também implica uma recuperação mais lenta no mercado de trabalho, onde o emprego relacionado com o turismo é elevado", em 21% de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, levando a taxa de desemprego nacional para os 7,3% este ano.

Na recuperação, a agência de notação financeira salienta que o Governo português pretende alocar os 13,9 mil milhões de euros de subvenções e 2,7 mil milhões de empréstimos provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em "melhorias na administração pública, estado social, qualificações do mercado de trabalho, digitalização da economia, infraestruturas públicas e investimento em iniciativas 'verdes'".

O impacto desta alocação no crescimento económico de médio prazo "vai depender do sucesso ao implementar os projetos de investimento planeados", relembrando a Fitch que o histórico português "é misto" a este respeito, já que apesar de uma melhoria na absorção de fundos nos últimos anos, "os níveis de investimento de Portugal são fracos, avaliando pelo padrão europeu".

A Fitch realça também que a segunda vaga da covid-19 "aumentou os gastos em mais do que o projetado", com o impacto das medidas discricionárias a atingir os 3% do PIB em 2021 (mais que os 1,7% projetados no Orçamento do Estado), incluindo com a captação dos fundos europeus REACT-EU.

Quanto à dívida pública (133,6% do PIB no final de 2020), a sua sustentabilidade é apoiada pelos "baixos custos de financiamento", uma "maturidade média longa", de 7,6 anos e "termos de financiamento favoráveis", provenientes da política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

A Fitch alerta ainda para o uso das moratórias bancárias, que poderá impactar na qualidade dos ativos dos bancos "nos próximos 12 a 18 meses", esperando também que depois das moratórias expirarem em setembro, o rácio de créditos sob imparidade "irá crescer gradualmente, potencialmente atingindo um pico de 9%", depois de estar nos 5% em 2020.

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