Num comentário ao plano elaborado por António Costa Silva e apresentado há dois dias, Vasco Cardoso, da comissão política do PCP, afirmou que, apesar de alguns aspetos positivos, como a defesa da produção nacional, registou "negativamente" a omissão quanto à "valorização dos trabalhadores, dos seus salários e direitos".

O plano propõe "a manutenção de todos os instrumentos do neoliberalismo" e nada diz quanto uma realidade sobre a qual "não é possível assobiar para ar", que é o domínio de setores estratégicos do país por estrangeiros, os espanhóis na banca, os franceses nas comunicações ou os chineses na energia.

"O que tememos é que, a partir deste programa, se procure dar um retoque do ponto de vista de esquerda para aprofundar uma política de direita que trouxe o país à situação que trouxe" e que "o surto epidémico" evidenciou as suas "fragilidades", afirmou.

Segundo o dirigente comunista, o plano de Costa Silva “assume em toda a extensão opções e critérios que têm determinado os eixos da política de direita” adotadas por vários governos.

O programa de Costa Silva, resumiu, “assume fio a pavio o conjunto de orientações, programas e opções presentes na União Europeia, assumindo-se como instrumento para a sua concretização em Portugal”.

“Para o PCP, a solução para os problemas nacionais não passa por uma política de direita retocada ou maquilhada por meia dúzia de ideias que há muito deveriam estar concretizadas”.

O gestor e professor universitário António Costa Silva apresentou na terça-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o documento elaborado a pedido do Governo intitulado "Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030".

O documento, que está em discussão pública, servirá de base para o plano de recuperação cujo primeiro esboço será apresentado pelo Governo à Comissão Europeia em outubro.

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