Em declarações à Lusa, o responsável da Associação dos Transitários de Portugal (APAT) diz ser “muito expectável” que o aumento do preço do petróleo possa levar a um aumento dos preços dos fretes, “que pode chegar facilmente aos 50%”.

Segundo Nabo Martins, tal irá “ter um reflexo mais direto e objetivo na carteira do consumidor final, uma vez que muito provavelmente vai chegar, ou já chegou, aos bens de primeira necessidade”.

Prevê, assim, que as subidas esperadas para os próximos meses poderão levar ao aumento dos preços de alguns produtos em até cerca de 50%.

O presidente executivo da APAT recorda que os preços dos fretes sofreram aumentos durante os últimos 18 meses, com alguns a aumentarem 1.000% no transporte marítimo.

“No final de 2021 estabilizaram e alguns até recuaram ligeiramente”, assinala, antecipando aumentos “a partir de abril”, em que “a causa principal vai ser o aumento dos combustíveis e energia”.

No entanto, acredita que estes aumentos “não cheguem aos 100%, ao invés dos 1.000% a que chegaram recentemente”.

Recorda, contudo, que pode estar em causa não apenas o frete marítimo, mas sim a cadeia de transportes completa.

“Há sempre um ‘first’ e ‘last mile’ realizado por rodovia e aí temos o reflexo do aumento. Depois temos a movimentação da carga, com novo reflexo e finalmente o transporte propriamente dito. Ora, assim, temos aumentos na rodovia/ferrovia, nos terminais e depois no marítimo”, sublinha.

Questionado se poderá assistir-se a uma espiral de agravamento dos preços dos fretes, ainda a recuperar da crise logística, Nabo Martins mostra-se convicto que não, mas assinala que “continuam a existir problemas relativamente à gestão dos contentores e da cadeia de abastecimento”.

“Continua a não se cumprir prazos de transporte, continua a existir falta de disponibilidade de contentores e de navios, assiste-se à entrada de ‘players’ estranhos e com pouco conhecimento ao fluxo de mercadorias, com expectáveis prejuízos, nomeadamente, para as pequenas e médias empresas que não vão conseguir enfrentar os gigantes logísticos que têm surgido”, argumenta.

Alerta ainda que “normalmente as empresas transitárias” em Portugal “não são incluídas em qualquer pacote de apoio do Estado”, mas defende “que muita carga é movimentada por veículos de menor dimensão e capacidade”.

“São os transitários que estão mais próximos dos pequenos e médios exportadores/importadores, que não têm capacidade para exportar/importar grandes volumes de carga, que fazem girar estas cargas. Estas empresas existem, fazem um grande trabalho, muitas vezes desconhecido, contribuem em muito para a nossa economia e que muitas vezes são esquecidas”, adverte.

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