Comecemos pela canonização de Francisco e Jacinta que passaram a ser Santos porque uma criança caiu de um quarto andar e sobreviveu. Proponho que São Francisco e Santa Jacinta passem a ser padroeiros das viagens de finalistas.

Acho que sobreviver à queda de um quarto andar é pouco para a categoria milagre e dar direito a fazer deles Santos. Acho que para ser milagre só devia contar a partir do décimo andar. Acho um quarto andar poucochinho. Podia ser um prédio baixo daqueles que tem cave e rés do chão e aquilo equivale a um segundo andar. Ser Santo porque uma criança escapou à queda de um quarto andar é como se uma pessoa fosse super-herói porque consegue voar com a ajuda de uma asa delta. Aliás, se o andar era assim tão alto, em vez de serem os pastorinhos a serem canonizados, era à que criança que se devia atribuir superpoderes.

Não nos podemos esquecer que se o milagre dos pastorinhos foi no Brasil isto da canonização em Fátima é um bocado como o festejar carnaval cá: vão apanhar chuva e não faz sentido. E de que serve ficarmos todos contentes porque Portugal tem mais dois Santos quando é sabido que Santos da casa não fazem milagres? Ficamos logo com menos dois Santos a que recorrer.

Quanto à vista do Papa, propriamente dita, estranhei a SIC Notícias não vir dizer que estava muito mais gente que no enterro do Doutor Mário Soares. Também confesso que me faz confusão que, uma pessoa protegida por Deus leve aqueles seguranças todos. Isto é que é ter confiança no sagrado?

O Papa Francisco tem um ar simpático e, para idade que tem, aparenta uma capacidade física muito boa, equivalente há que terá o presidente Marcelo aos 104 anos.  Mas, apesar de ter uma cara que assustava pombos, o Bento XVI falava melhor português que o Francisco. Este Papa a falar português parece um bocado um indivíduo  de leste que está cá há um ano. Não deve ser fácil ser Papa. Para além de ter viajado com a Fátima Campos Ferreira aquele fato do Papa deve ser uma chatice para fazer chichi.  Deve ser quase impossível não molhar uma borda.

Gostei do carro do Papa. O carro do Francisco dava para uma boa roulotte para street food. Era óptimo para expor marisco.

Cheguei à conclusão que os especialistas em Fátima são muito pouco especialistas em escolher roupa e nunca pensei que houvesse tanta gente em Portugal a saber latim. Ou então só cantam o fim como quando não sabemos a letra – “epi nanana etúussss”. Acho que Fátima devia ser como nos concertos com os fãs a pedirem para o papa tocar a favorita - "canta o Pai Nosso!".

Temos de reconhecer que o marketing de Fátima é muito bom. Devem ter feito uma pipa de massa. O Serviço de Administração do Santuário de Fátima disse que foi desenvolvida uma gama variada de produtos, que inclui “crachás, guarda-sóis e guarda-chuvas, t-shirts, lenços, entre outros para este dia tão especial". Este - “entre outros” - não inclui preservativos, por razões evidentes.

Para terminar, que vocês já estão cansados, do que vi, o que mais gostei foi o comentário de uma peregrina, entrevistada pela SIC: “O Papa Francisco faz-me lembrar muito o Papa João Paulo II" - é da farda, minha senhora.

Sugestões do autor: 

O Festival de Telheiras já é um marco na comunidade e mais famoso que o violador. Nesta sua 8.ª edição de 10 a 21 maio tudo vale a pena: da música ao cinema, etc. Dê lá um salto.

Um concerto. Como forma de celebrar um ano do lançamento do seu último álbum, “Carga de Ombro”, Samuel Úria dá um concerto, com vários convidados, no palco do Tivoli no dia 27. Era pecado perder.

Um livro. Reeditado pela Relógio d'Água a "A Ilha do Doutor Moreau" de G. Wells é um fantástico livro do fantástico. Vão ler.

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