O país ficou estupefacto com o roubo de material militar em Tancos. De quem é a culpa? Quem se deve demitir? Quem vamos prender e processar? São estas as primeiras perguntas que pairam no ar de muitos cidadãos e políticos. Faz-me lembrar de quando trabalhava num banco e havia problemas graves, que levava os gestores de equipa a reunir numa sala para discutir de quem era a culpa em vez de terem como prioridade resolver o problema e evitar que voltasse a acontecer. Como tal, sinto que essas perguntas devem ser deixadas para segundo plano e que devemos focar-nos em arranjar soluções para que isto não volte a acontecer. Deixo algumas ideias para reforçar a segurança e prevenir episódios como o de Tancos.

Colocar alguém com distúrbio obsessivo compulsivo a fazer a contagem do inventário. Desta forma, mesmo que o material desaparecesse ter-se-ia sabido passados dois minutos quando esse segurança voltasse atrás pela décima vez para contar as granadas e garantir que a porta estava mesmo fechada, rodando a chave para um lado e para o outro cinquenta vezes.

Utilizar a tática que usam os cafés e bares perto de zonas problemáticas tipo a Buraca: colocar criminosos como seguranças. Mas criminosos à séria e não militares corruptos que vendem a G3 por um passe de três dias para o NOS Alive. Estamos a falar de um bom traficante de droga pesada, de um dono de uma empresa de segurança ilegal ou de um cobrador de dívidas que só opera quando o valor é acima dos dez mil euros. Um bandido com boas competências de networking e com uma boa rede de contactos. Pagar-lhe mais do que ganharia como criminoso e esperar que os assaltantes o conhecessem:

- Txii, meu puto! Não sabia que estava aqui a trabalhar!
- Yah, man. Quebra aqui o galho de um sócio e vai assaltar para outro lado, pode ser?
- Claro, man, na boa. Não te quero dar chatices.

Mesmo que o assalto fosse efetuado com sucesso, bastaria um post no Facebook do segurança com uma foto desfocada das granadas a dizer «Pessoal, importante! Se alguém vir esta granada que me avise! Está perdida e com medo! Partilhem!».

Ter uma torre de vigilância com uma porteira. Gastaram-se 400 mil euros num sistema de vigilância que não funciona quando bastava uma dona Arminda por paiol com uma televisão com acesso às «Tardes da Júlia» e ao «Você na TV». Uma porteira a sério vale mais do que mil câmaras de filmar, com a vantagem de não serem necessárias horas e horas de visionamento de imagens para vislumbrar os criminosos. Bastaria dar os bons dias à dona Arminda para que ela se contasse tudo:

- Bom dia, Dona Arminda.
- Bom dia, olhe, eu nem gosto de ser intriguista, mas sabe quem é que veio aqui ontem à noite? O Zé, sabe? Aquele militar que costuma trazer uns amigos de aspeto duvidoso? Eram cerca das 23h47 quando ele aparece e pela cara dele estava bêbedo e sai com duas paletes do que me pareceu serem granadas.
- Obrigado pela informação, dona Arminda.
- Sabe como é, eu nem gosto de me meter na vida das pessoas e cada um sabe de si, mas achei que devia saber.
- Fez bem em avisar.
- Já que estamos aqui a falar e não querendo lançar boatos, quer-me parece que o Júlio, aquele que traz sempre a farda toda engomadinha e imaculada, é gay. Nada contra, mas pronto.

Uma boa porteira cusca vale mais do que o sistema de espionagem da NSA.

Urge, também, recuperar o arsenal bélico que foi roubado para que não caia nas mãos erradas - como nas de militares corruptos que as gostam de vender sem se preocuparem se vão matar vidas inocentes. Deixo uma sugestão: colocar um anúncio nos classificados «Morena safada procura bomba para se divertir. Casada fogosa procura dinamite para uma explosão na cama. Quanto maior for a bazuca, melhor. Discrição máxima.». Certo que irá atrair muitas pistas falsas, mas acredito que no meio de muitos homens desesperados estejam aqueles que perceberam a linguagem código utilizada e que pensam tratar-se com um comprador de armas.

Bem sei que são ideias fora da caixa mas, em tempo de guerra, já sabem o resto do provérbio. Para a semana talvez escreva sobre outro assalto que me preocupa bastante e que acontece de cada vez que eu passo um recibo verde.

Sugestões e dicas de vida:

Não comprem granadas na Rua Augusta que podem ser enganados e, afinal, é só pó de estalinho de Carnaval prensado.

Se querem poupar nos bilhetes para os festivais de Verão podem vestir-se de hippies betos e tirar uma selfie deitados na relva da vossa praceta e publicar no Instagram.

Se estão à procura de um destino de férias que seja gay friendly e tenha orgias e festas sem tabus, esqueçam Mykonos e vão para o Vaticano.

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