Estamos a chegar à época mais depressiva do ano que é o período pós férias, sendo que atinge o seu pico nos primeiros dias de setembro, depois de a maioria dos portugueses regressarem das suas loucas férias de 15 dias na Quarteira. Já eu estou de férias enquanto escrevo esta crónica, o que acaba por ser um paradoxo ou, tal como muitos comentadores do Sapo 24 dizem, isto que eu faço também não é trabalho e até é ofensivo que me paguem para escrever coisas como esta de hoje. Beijinho no ombro para as invejosas.

Bem, mas é um facto de que a retoma ao trabalho é, para muitas pessoas, uma altura de sintomas que podem indicar uma condição psicológica preocupante à qual se dá o nome médico de «Depressão pós-férias» (DPF), ou, em termos leigos «Aquele sentimento de um gajo não querer trabalhar mais. Nunca na vida.». É um assunto que não é levado a sério pela sociedade que parte do princípio que as férias são sinónimo de recarregar energias e não tem em consideração que estas podem ser interiorizadas como uma espécie de saída precária da prisão ou que, podem ser daquelas férias em que terminamos a dizer "Precisava de férias das férias", tal é o cansaço acumulado e o álcool ingerido. Este artigo altamente científico, pretende elucidar o trabalhador, ou estudante, sobre os principais sintomas, causas e tratamentos desta epidemia.

O que ê?

A DPF é uma patologia que foi diagnosticada pela primeira vez em meados do Séc. XX, altura em que as pessoas começaram a ter alguns dias férias para gozar por ano. Um trabalhador de uma linha de montagem, 16 horas por dia, sem dias de férias, está imune a este tipo de doença de gente que não sabe o que custa a vida. A cada nova geração, a taxa de incidência aumenta, porque toda a gente sabe que a juventude não quer trabalhar e drogas, partilhas e swipes.

Diagnóstico

O diagnóstico da depressão pós-férias é de precisão difícil. Muitas vezes, confunde-se a preguiça crónica do trabalhador mandrião com um quadro de depressão pós-férias. É preciso saber separar as coisas, porque a utilização da desculpa por parte do preguiçoso «Chefe, sabe como é que é, não tratei do relatório porque estou em depressão pós-férias...» tende a desvalorizar uma doença que deve ser levada a sério.

O diagnóstico deve ser feito por um médico que não tire férias há cinco anos, impedindo assim que ele inconscientemente vicie os resultados por, também ele, sofrer da mesma enfermidade psicológica. Se forem hipocondríacos como eu podem tentar o autodiagnóstico pesquisando no Google, mas vão descobrir que têm SIDA, cancro, e todo o tipo de doenças raras que matam depressa e de forma dolorosa. O grande problema desta doença é que dificilmente haverá legislação que proteja os doentes, já que os políticos são alheios à DPF, uma vez que para a contrair é preciso trabalhar.

Sintomas

  • Ver as fotografias das férias várias vezes de seguida e com uma lágrima nos olhos;
  • Achar que em vez de se trabalhar no primeiro dia de volta ao emprego se deve fazer o planeamento do trabalho só para queimar tempo;
  • Chegar ao trabalho e verificar a folha de férias para ver quando são as próximas;
  • Aquando da pergunta «Então essas férias?» dar sempre a mesma resposta: «Curtas...»;
  • Gastar tudo o que sobrou na conta, depois de gastar o subsídio de férias, no Euromilhões e em Raspadinhas «Pé-de-Meia»;
  • Suicídio.

Causas

  • Ter demasiado dinheiro para gastar em boas férias que fazem com que o resto da nossa vida pareça inútil. Voltar de Bora Bora para a Zona Industrial do Barreiro é um choque que deve ser evitado;
  • Férias demasiado longas.
  • Ter um trabalho do qual não se gosta.

Tratamento

  • Obrigar os amigos e conhecidos a verem todas as nossas fotografias de férias a um ritmo de dez minutos por fotografia com direito a zoom em todos os detalhes. Isto fará com que vejamos tristeza e desespero nos olhos deles, enquanto sorriem e dizem «Boas vidas, deve ter sido muito giro...». Toda a gente sabe que a melhor cura para a depressão é vermos pessoas mais deprimidas do que nós;
  • Substituir os tradicionais leite e cereais ao pequeno-almoço por bebidas alcoólicas destiladas. Sugestão: papas de aveia com vodka, numa massa consistente para libertação lenta ao longo do dia;
  • Marcar reuniões fictícias para chorar e dormir;
  • Depois de regressar ao trabalho, ir colocando fotos das férias no Instagram para as pessoas que nos seguem pensarem que ainda estamos de férias e nos sentirmos melhor ao meter-lhes nojo;
  • Ter um caso amoroso com algum colega de trabalho;
  • Despedir-se;

Se os sintomas durarem vários meses, sugere-se que o doente faça por mudar de vida e pare de se queixar porque já ninguém tem paciência para o ouvir. Pode, inclusivamente, experimentar os conselhos do André Ventura e converter-se à etnia cigana que, segundo ele, nunca mais terá de trabalhar e terá direito a todo o tipo de regalias e subsídios.

Sugestões:

Para viajar: Heidelberg e Munique, na Alemanha.

Para ir: Comic Con - Especialmente ao palco comédia, onde vou estar dia 13 de setembro

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