Todos os dias, a toda a hora, a cada momento, comunicamos. De várias formas, de diversas maneiras, com sons ou sem eles e apenas com gestos. Às vezes sem nos aperceber, pois tudo é comunicação. Da mesma forma, no outro lado de quem comunica, a todo o momento recebemos informação e cada vez mais são as formas de a receber, a maioria, diria, de forma involuntária e não desejada. Mesmo não o querendo de forma declarada, quase como aquele autocolante que se punha na caixa do correio indicando que não se quereria receber publicidade não endereçada, mas que quase todas as marcas tendiam a ignorar, levando-nos a que tivéssemos de ver – e automaticamente ler – o folheto que nos era deixado, apesar de termos indicado o contrário. Significa isto que estamos expostos, querendo ou não, a informação gratuita.

Há uma tendência crescente para existirem mais canais de comunicação, como a televisão com espaços de informação e telejornais, jornais e revistas com os seus artigos, blogues e sites com artigos de opinião, rádio e suas rubricas e, claro, as redes sociais, sempre em crescimento e cada vez mais diversificadas. Além disto, são os anúncios nos intervalos de tudo, ou a publicidade na lateral de algo a decorrer, os espaços de publicidade que interrompem a música que ouvimos ou mesmo os algoritmos dos sites e aplicações que usamos, onde tudo é dirigido a nós e que não podemos fugir de um pensamento que tivemos, que por curiosidade até, pesquisámos e que moldou, para os próximos dias, a informação que vamos receber.

A juntar a esta tendência crescente de disparar informação de todos os lados, nos últimos anos fomos assolados por uma pandemia. Ainda esta não tinha terminado, começou a guerra da Ucrânia e com esta ainda a ocorrer, surgiu mais um conflito entre Israel e Gaza. Sabemos os números, vemos as imagens, ouvimos relatos e sabemos dezenas de opiniões sobre tudo. É tudo tão intenso e tão imediato para todos que não saber algo pode parecer ignorância e que não nos preocupamos, o que nos leva a procurar mais ainda e estar, sempre, em procura consciente. Esta levará a um funcionamento ansioso e de stress, bem como o sentir de emoções desagradáveis como a tristeza, raiva, medo ou até angústia.

Para a nossa melhor saúde mental e psicológica, é bom sentir que estamos actualizados sobre o mundo que nos rodeia e que temos informação sobre ele, mas é fundamental sentir que temos momentos de tranquilidade, só nossos ou com os nossos, onde não procuramos novidade nem informação e nos sentimos bem em apenas estar. Existem algumas estratégias que podemos usar que nos ajudarão a reduzir esta necessidade de constante actualização:

- Estabeleça limites de tempo: Defina limites diários para o tempo gasto em notícias e redes sociais. Pode utilizar alarmes para ajudar a manter estes limites ou escolher momentos específicos para este consumo de informação e notícias ao longo do dia. Escolha momentos específicos para se informar e actualizar.

- Diversifique as fontes de informação: Quando procurar informação, faça-o em diferentes fontes ao longo do tempo para variar a utilização dos diversos meios, equilibrando a sua visão da informação, sem ficar dependente de uma única fonte.

- Priorize o bem-estar: Crie e reserve tempo para actividades de lazer que promovam o bem-estar, dentro ou fora de casa, sozinho ou com outros, onde encontre novas sensações e a experiência de emoções e sentimentos agradáveis. Priorize o tempo com amigos e familiares para fortalecer as relações interpessoais e a sua rede de apoio.

- Crie espaços sem tecnologia: Estabeleça locais da casa onde não podem existir dispositivos electrónicos, promovendo a relação e a comunicação entre pessoas. Desconecte-se ocasionalmente das redes sociais e do telemóvel/smartphone, permitindo-se a apreciar o momento presente.

- Reflicta sobre o conteúdo consumido: Avalie a forma como se sente com as notícias e informação que recebeu, procurando estabelecer o seu bem-estar após as mesmas.

- Pratique o JOMO (Joy of Missing Out): Ao contrário do cada vez mais famoso FOMO (Fear of Missing Out), muitas vezes promotor desta procura incessante por informação, proponho que trabalhe em si a aceitação de que é impossível acompanhar todas as notícias e atualizações. Procure estar ligado ao momento presente e aprenda a aprecia-lo, em vez de cultivar em si a preocupação com o que estará, supostamente, a perder.

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