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900% mais infetados que há um ano. E isso é mau?

Pedro Soares Botelho
Pedro Soares Botelho

Portugal já vacinou cerca de 75% dos jovens entre os 12 e os 17 anos com a primeira dose de uma vacina contra a covid-19. Só no último fim de semana, foram vacinados 86 mil.

Estes números são positivos e são revelados no mesmo dia em que chegam outras percentagens, alarmantes: agosto termina com 69 mil infeções, são quase mais 900% do que no mesmo mês do ano passado.

Mas a realidade de 2021 é cada dia mais distinta da de 2020, com mais pessoas a tomar a vacina que garante maior imunidade ao desenvolvimento de formas graves de uma doença que, em todo o mundo, já matou mais de 4,5 milhões de pessoas.

Os relatórios diários da pandemia da Direção-Geral da Saúde (DGS) indicam que, em agosto de 2020, e ainda antes de se iniciar a vacinação contra a covid-19, que só arrancou no final do ano, foram registados em todo o país 6.940 casos positivos de infeção, muito abaixo dos 69.296 verificados ao longo deste mês.

A mesma tendência verifica-se ao nível dos óbitos, com 87 mortes atribuídas à covid-19 em agosto de 2020 e 382 em agosto deste ano, o que representa um crescimento de 339% na comparação entre os dois meses.

Ao nível dos serviços de saúde, os dados indicam também uma maior pressão em agosto de 2021, mês em que estiveram internados uma média diária de 768 doentes, valor superior à média de 346 pessoas que necessitaram de cuidados hospitalares em agosto de 2020.

O mesmo cenário registou-se nos cuidados intensivos, que trataram este mês uma média diária de 164 doentes, enquanto, em agosto de 2020, essa média ficou-se pelas 39 internadas nestas unidades.

Esta média diária de 164 doentes em cuidados intensivos representa 64% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas.

A elevada incidência de casos em Portugal está, segundo os especialistas, associada à variante Delta do coronavírus, considerada mais transmissível do que a Alpha e que é responsável por 100% das infeções em todas as regiões do país, de acordo com os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

No final de maio, os dados do INSA indicavam que a Delta, associada inicialmente à Índia e detetada pela primeira vez em Portugal em abril, apresentava uma prevalência de 4,8% dos casos em Portugal, com maior incidência no Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo.

Mas, mesmo contra as variantes, temos as vacinas. Dados do ministério da Saúde indicam que, desde o início da vacinação a 27 de dezembro de 2020 até ao segunda-feira, tinham sido administradas mais de 14 milhões de vacinas contra a covid-19 em Portugal, mais 8,2 milhões de primeiras doses e cerca de 5,8 milhões de segundas tomas.

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