Em Picoas, na sede da Altice Portugal, há agora um espaço criado de raiz para pensar a internet das coisas, a ‘Internet of Things’ (IoT), que traz soluções para, por exemplo, gerir estacionamentos ou as lâmpadas lá de casa. Postas assim, as possibilidades parecem pequenas, mas há um mundo para além disto.

Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal aponta para as análises que dão conta de um crescimento de 30% ao ano no investimento, a nível mundial, na Internet of Things. E para a empresa, diz, “é fundamental perceber isto”. Isto — o investimento — e as sinergias entre a academia, os laboratórios como este e a produção comercial dos protótipos e soluções desenvolvidos pelos investigadores.

O cortar da fita foi substituído pelo cortar do cabo de fibra ótica. Luís Alveirinho, CTO da Altice Portugal, é quem abre oficialmente o laboratório. Aqui a lógica é a da “agregação de parcerias estratégicas entre os principais stakeholders do setor e dinamização do ecossistema tecnologia e económico português”, anuncia a Altice Portugal em comunicado.

O projeto resulta de um memorando de entendimento assinado entre a Altice Portugal e a fabricante chinesa Huawei, no Mobile World Congress 2017.

Aos jornalistas, Luís Alveirinho explica que a Altice Portugal está a trabalhar "neste conceito e neste processo há pelo menos três meses", reunindo já "um conjunto de sete ou oito demonstrações, com um conjunto de parceiros".

"Temos laboratórios tecnológicos onde as nossas equipas de engenharia e operações e também as equipas de produtos testam as nossas soluções ou as que trazemos em conjunto com parceiros, mas somos nós que as testamos e integramos com a nossa rede. O que queremos criar aqui é um contexto completamente diferente: é abrir o contexto laboratorial e de ensaio a um conjunto de parceiros e a toda a indústria, para que não só nós, mas eles próprios, de modo autónomo, possam testar as soluções deles e garantir a sua interoperabilidade com uma rede viva”, diz.

"Olhamos para isso com dois contextos diferentes: fazer com que esse tipo de parceiros se aproxime de nós e que possamos testar e perceber a solução deles e perceber eventualmente como é que nós também podemos tirar partido dela, numa lógica de ida ao mercado conjunta. Esta é a perspetiva que vamos privilegiar, claramente”, diz o CTO da Altice Portugal.

E acrescenta que a empresa quer “trabalhar com os parceiros”, para que “estas aplicações também possam ter parte nossa em termos de solução”. O segundo contexto é o de permitir que “alguém que única e exclusivamente quer chegar aqui e testar uma solução ou testar um equipamento para perceber se esse equipamento tem problemas de interoperabilidade com uma rede pública."

Por agora, quem estiver interessado em entrar neste Golabs.IoT, tem apenas um endereço de correio eletrónico para o fazer (golabs.iot@telecom.pt). Em desenvolvimento está, todavia, um portal onde vai ser possível acompanhar aquilo que estiver a acontecer no laboratório. Depois, um comité que reúne as várias entidades envolvidas no projeto avalia o pedido, "por um lado, o próprio interesse que [a Altice Portugal] tem em conhecer aquela solução, para posteriormente a integrar, mas também a oportunidade e o momento em que isso possa acontecer", explica Luís Alveirinho.

Esse "comité de governança" inclui a Altice Portugal, com representantes das áreas de produto, tecnológicas, IT e rede, mas também outras entidades da indústria, como, por exemplo, a Huawei, um dos parceiros fundadores do laboratório. Alveirinho adianta, porém, que a Altice já está a trabalhar com outros parceiros "para que também possam vir a integrar o conceito deste laboratório”. A expectativa é a de "uma grande afluência de parceiros e de indústria que queiram vir usar o laboratório", disse Alveirinho.

Sobre o orçamento para o projeto, a Altice não divulga valores, apesar de reconhecer que o laboratório é uma das prioridades para a empresa. Até porque o IoT é uma área em crescimento.

Alexandre Fonseca diz que o investimento da Altice Portugal em IoT e a criação do Golabs.IoT têm na operadora “as condições de infraestrutura e tecnológicas mais adequadas” para o desenvolvimento destas tecnologias, que passam, como mostram os projetos já em desenvolvimento no laboratório, nomeadamente nas áreas da telecontagem de água, de monitorização industrial e ambiental e de gestão de estacionamento. Sem esquecer as soluções tecnológicas que permitem automatizar funções mais domésticas.

Com a internet das coisas torna-se possível, por exemplo, programar o sistema para desligar todos os equipamentos elétricos (exceto os essenciais) quando os sensores de movimento do sistema de segurança não detetam ninguém em casa. Ou dizer ao ar condicionado para ligar o aquecimento quando estamos a chegar a casa (ou quando a temperatura baixa para determinado valor, por exemplo).

Máquinas, casas… e pessoas? Talvez. "O IoT vai acabar por ter uma abrangência global. É verdade que grande parte das aplicações que existem tem muito a ver com a indústria, tudo muito virada para as coisas. Julgo que o próximo passo é virar o IoT para as pessoas, são os sensores biomédicos que tirem um conjunto de informação e automaticamente a passem para o médico de família, ou para a seguradora, ou para um hospital, por exemplo." Um caminho para humanizar o contexto do IoT, explica o CTO da Altice Portugal.

A internet das coisas — IoT — é apontada pela norte-americana Gartner como um dos principais impulsionadores de investimento em tecnologias de informação este ano. A Altice diz que esta é “uma das ferramentas mais relevantes do processo de transformação digital das organizações e da sociedade em geral”.

Aplicar a tecnologia e a comunicação em rede de máquinas e processos que habitualmente não estão ligados tem um “impacto transversal na performance das empresas”, e também “no relacionamento entre as pessoas e as pessoas com a tecnologia”. A IoT é uma prioridade para a União Europeia, prevendo-se que a quantidade de dispositivos conectados em todo o mundo cresça a um ritmo anual de 32% até 2021, ano em que deverá subir para 25 mil milhões, segundo dados avançados pela Altice Portugal.


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