Os centros armazenam conteúdo eletrónico, incluindo emails, fotos e vídeos, e consomem, globalmente, entre 3% e 5% do total da eletricidade, rivalizando com o setor da aviação em emissões de carbono.

A China tem uma das maiores indústrias do mundo de processamento de dados, responsável pelo consumo de mais de 2% do total da energia do país, detalha o relatório da Greenpeace.

O desenvolvimento do 'big data' (processamento de grandes volumes de dados) é uma das prioridades da China, visando modernizar as indústrias nacionais e a administração pública, mas que tem suscitado críticas, por possibilitar ao regime chinês uma maior vigilância sobre os cidadãos.

O país asiático é também o maior emissor de gases poluentes do mundo e prometeu atingir o pico nas emissões de dióxido de carbono até 2030.

Nos últimos anos, tem sido de longe o maior investidor global em energias renováveis, sobretudo solar, mas a maioria destes centros recorre a energia fóssil, sobretudo carvão, detalha a organização de proteção ambiental.

"A maioria das instalações está localizada na costa leste, perto de centros de negócios, e longe da produção de energia renovável no centro e oeste do país", lê-se no relatório.

Entre os 44 centros de processamento de dados analisados pela organização, apenas cinco usam energia renovável.

O setor é dominado por firmas nacionais como as gigantes Huawei, Tencent ou Alibaba, mas também a norte-americana Apple, já que os reguladores chineses exigem que as empresas armazenem todos os dados recolhidos na China dentro do país.

Com cerca de 800 milhões de internautas, a China tem a maior população 'online' do mundo, pelo que a procura por armazenamento de dados continuará a crescer nos próximos anos.

Os autores do relatório preveem que, em cinco anos, o consumo de energia nos centros de processamento de dados do país aumentarão em dois terços, para um total de 267 terawatts/hora (TWh) por ano - mais do que o total da energia consumida pela Austrália, em 2018.

As emissões devem subir das atuais 99 milhões de toneladas de dióxido de carbono para 163 milhões, o equivalente ao produzido por 35 milhões de automóveis.

Em 2015, o Governo chinês lançou um programa piloto de centros ‘verdes’ de processamento de dados. O gigante do comércio eletrónico Alibaba inaugurou já um centro que recorre ao uso de energia solar e hidráulica, enquanto a água de um lago evita o sobreaquecimento dos servidores.

Nos Estados Unidos, os centros têm também reduzido significativamente as emissões de carbono.

Os centros de dados da Apple são alimentados por energia limpa e, segundo a empresa, o seu novo centro na China também utilizará energia renovável.

A Microsoft e a Amazon também definiram como objetivo alimentar os seus centros de processamento de dados unicamente com energia renovável.

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