Para embarcar, os leitores devem antes fazer uma escala neste vídeo desta semana onde Pedro Nuno Santos e Miguel Sousa Tavares se atropelam um ao outro sobre o tema.

Relembro que não é permitido viajar nesta crónica com mais de cem mililitros de certezas sobre um assunto tão complexo como este.

O tempo estimado de leitura poderá variar entre cinco minutos, se o leitor tiver a articulação da voz-off das contra-indicações de um produto farmacêutico no final dos anúncios televisivos, ou duas horas, se estivermos na presença de um aluno do pré-escolar ainda a aprender os ditongos.

A temperatura do gadget onde se encontra a ler este parágrafo estará provavelmente a 17 graus, a menos que o esteja a fazer num Windows 98 enquanto descarrega a saga completa do "Star Wars" em 4K.

Em caso de vírgula, faça meia respiração por uma das narinas. Em caso de ponto final, complete um ciclo respiratório inteiro. Em caso de pontuação mal colocada, faça o favor de ignorar e não se sentir tentado a enviar um e-mail ao diretor pedindo o despedimento por justa causa deste que escreve.

O texto possui duas saídas de emergência em forma de cruz, nos cantos superiores direito e esquerdo - consoante a formatação do seu sistema operativo - que poderá usar em caso de discórdia, repugnância ou uma vontade súbita de bloquear o autor no Twitter.

Após a introdução, mesmo antes do corpo do texto, o serviço a bordo do cérebro do autor irá facultar uma seleção ligeira de figuras de estilo. O chef recomenda ironia desfiada em cama de hipérbole.

Agradecemos a sua preferência e esperamos que continue a confiar nos nossos serviços, ao invés de começar a ler as crónicas de Jorge Mourinha no Cinecartaz.

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7500

É a segunda aterragem de "7500" neste aeródromo privado. A repetição pode parecer preguiçosa, mas prefiro vê-la como coerência para com os comentadores da nossa praça que toda as semanas se repetem sobre a TAP. "7500" é um filme de aviões competente cujo arco narrativo se desenrola por inteiro no cockpit de um voo comercial. Há terroristas a tentar tomar o controlo do avião e acompanhamos a sua tentativa sempre através do olhar do piloto. Não sabemos o que se passa lá atrás. Estarão eles a ameaçar os passageiros com uma bazuca ou com uma gilete? Joseph Gordon-Levitt vai tão bem que parece um piloto a fazer de ator.

United 93

Só num voo nacional da TAP é que haverá mais gente de pé do que neste "United 93", onde os passageiros tentam recuperar o controlo de um avião que foi desviado por terroristas. A história é verídica e recupera os acontecimentos no interior do único avião, dos que foram desviados no 11 de Setembro, que não conseguiu atingir o alvo, muito por culpa dos heróis que nele viajavam e que se uniram para reconquistar o controlo da aeronave com aquilo que tinham à mão: talheres e água a ferver. Não recomendo vê-lo antes de apanhar um avião.

The Terminal

Uma parte considerável da experiência de viajar na TAP consiste em ter o voo adiado por fatores que, diz o comissário de bordo, fogem ao controlo da companhia. Aqui está então este filme que nunca chega a levantar voo (estarei eu a dizê-lo de forma metafórica?), onde um homem se vê obrigado a viver a sua vidinha num terminal de aeroporto. Para quem já teve de fazer tempo durante oito horas numa escala em Istambul, entre Lisboa e Pequim, esta é uma bonita forma de mostrar empatia para com um Tom Hanks que se vê obrigado a tomar banho no lavatório do aeroporto JFK.

Sully

A TAP (ainda) é uma importante ligação do continente com a Madeira, mesmo que a ilha tenha um dos aeroportos mais difíceis de aterrar no mundo, digo eu baseando a minha afirmação nas longas horas que lá tentei aterrar no Flight Simulator enquanto amolecia bolachas Oreo em leite quente. "Sully" é um filme baseado na história verídica do piloto que conseguiu aterrar um avião de emergência no rio Hudson, contra todas as probabilidades, e que se viu obrigado a defender a sua tomada de decisão perante os tribunais. Há documentários melhores sobre o acontecimento, mas mais aborrecidos do que o filme. É o segundo filme desta lista protagonizado por Tom Hanks, para quem os filmes de aviões estarão como os filmes em que o protagonista é obrigado a andar de tronco nu estão para o The Rock.

Up in the Air

A TAP atravessa uma difícil reestruturação financeira e os despedimentos coletivos sucedem-se. Nem de propósito, em "Up In The Air", George Clooney é um homem dotado de uma frieza ímpar que ganha a vida a despedir pessoas. Samba entre os quatro cantos do mundo com uma caneta onde rubrica despedimentos eficazes. Sorte a de Clooney, que o filme é de 2009. Se fosse em 2021 o mais certo é que o papel principal fosse para o ministro Pedro Nuno Santos.

Bridesmaids

Este não é um filme sobre aviões, mas quando procurei referências a filmes sobre aviões na imprensa da especialidade para me certificar de que não estava a recomendar nenhum com menos de duas estrelas no IMDB, todos falavam neste "Bridesmaids", que também eu já vi e posso confirmar que, sim senhor, tem uma curta cena hilariante que se passa dentro de um avião. Pois bem, cá está ele. Comecei por recomendar filmes inteiros e acabo a recomendar minutos. Até pareço a TAP, que começou por servir refeições completas mas hoje em dia só oferece aos passageiros uma barrita energética.

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