Instalada como companhia residente no Coliseu do Porto, a escola profissional vai mudar-se no decurso do próximo ano letivo para um novo espaço, ainda que mantendo a atual ligação, com o objetivo de solidificar o projeto educativo e artístico e apostar no vídeo.

Depois de nascer, em 1983, “mais como uma entidade de produção criativa”, cedo a instituição aliou a “lógica de desenvolver e experimentar linguagens dentro da dança e do teatro” à “necessidade de formar pessoas que pudessem acompanhar esses projetos”, conta à Lusa Né Barros, que com Isabel Barros assume a direção artística da estrutura, que hoje alia o ensino profissional à criação e ainda a um serviço educativo que abrange crianças e adultos.

A criação da escola profissional, a primeira do seu âmbito na área das artes performativas, trouxe a criação de um sistema “inovador e aberto” que permitiu aproximar a linguagem artística ao ensino “científico”, habitual no currículo escolar de percursos sem a vertente artística integrada.

“Foi uma escola que acabou por ter bastante impacto, não só na cidade como no país, e que formou muitas gerações desde há 30 anos”, recorda a diretora.

Com um “foco importante de incentivo à experimentação e criatividade, reforçando as ambições dos alunos”, a escola trouxe uma “certificação profissional” para a área e lançou talentos importantes para a cultura portuguesa, como Dalila Carmo, Martinho Silva, Victor Hugo Pontes, Joclécio Azevedo, Teresa Prima, Igor Gandra ou Gustavo Sumpta, entre muitos outros.

Ao todo, o balanço “é muito positivo”, principalmente pelo esforço de “transformar mentalidades, porque as pessoas não estavam sensibilizadas para deixarem os filhos ingressarem em cursos como estes”, mas também a “defesa de um projeto e sem ceder a modas” ou a luta pela atividade e relevância no contexto atual.

“Apesar de terem passado muitos anos, é como se tivesse começado ontem. Pode parecer uma banalidade mas não é, porque os anos passam muito rápido e trata-se de um trabalho muito intenso e imersivo. (...) O desafio agora é tentar que a casa seja sempre aberta, com um olhar atento para o que se passa à volta”, elenca Né Barros.

Para a diretora, os cerca de 150 alunos que atualmente estudam na estrutura beneficiam de uma ligação com “uma instituição fundamental no Porto e no país”, bem como da sua programação, e a programação permite “estar sempre a associar a formação com a criação”.

No próximo ano letivo, a escola profissional vai mudar-se para um espaço na antiga freguesia de São Nicolau, na zona ribeirinha da cidade, depois de a Câmara do Porto adquirir e ceder esse espaço, revela Né Barros.

Ainda assim, a ligação ao Coliseu vai continuar, com “uma relação que interessa manter” a partir dos outros departamentos da escola, que ao longo de 35 anos passou por vários espaços, na rua da Alegria ou na zona de São Bento da Vitória, entre outros.

Com o cuidado de não deixar “crescer demasiado em termos de quantidade”, a prioridade está antes em “consolidar, aprofundar e melhorar o que já está em curso”, sendo que o departamento do vídeo é uma aposta para “os próximos tempos”.

“O departamento da imagem em movimento tem tido alguma importância na última década do Balleteatro, na produção de vídeos e filmes, quer vídeos artísticos, experimentais ou ficções, e é bastante importante trabalhá-lo nos próximos tempos”, afirma.

Um dos exemplos da aposta é o filme “Casa de Vidro”, de Filipe Martins, premiado com o Voices Short Award na edição 2019 do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, produzido pela escola.

Com o passar dos anos, a realidade “mudou muitíssimo” no panorama cultural do país, sendo que hoje “é possível existir um diálogo, com interlocutores ao nível do Governo e municipal que não existia nos anos 1980”, pela falta de abertura, sendo que hoje em dia “não há dúvidas” sobre a importância das artes.

Em 2019, a celebração arrancou com uma conferência de Joaquim Azevedo sobre o ensino artístico profissional, seguindo com os festivais que já marcam os últimos anos da instituição, como o Family Film Project ou o Corpo+Cidade, este último integrado na programação do Festival Dias da Dança (DDD).

“Vamos colocar uma performance a acontecer nas ruas da cidade, chamada ‘Cross and Dance’, ao longo de vários meses, e as pessoas vão aperceber-se ao passar, em diferentes momentos, na avenida dos Aliados. Envolve toda a comunidade da escola”, assinala Né Barros.

Outro dos momentos altos é o “Happy Birthday”, uma criação conjunta com o Festival Internacional de Marionetas do Porto, que também assinala 30 anos de existência, com o espetáculo a estrear no evento.

O documentário “O Corpo e o Lugar – Um Documentário do Balleteatro”, que retrata a história da casa, e o ciclo “Projeções”, dedicado “a artistas emergentes nas áreas performativas”, são outros marcos do 30.º aniversário.

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