A responsável falava a propósito da reabertura destes equipamentos tutelados pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), no quadro do “plano de desconfinamento” progressivo, anunciado pelo Governo, e que permite, a partir dessa data, a reabertura de museus, monumentos, palácios, galerias de arte e espaços similares.

A possibilidade de aquisição de bilhetes ‘online’ para entrar nos equipamentos culturais nacionais era um projeto em curso que, segundo a secretária de Estado, “foi acelerado devido ao contexto da pandemia, para incentivar compras seguras, e agilizar o acesso de forma simples, evitando as filas”, sublinhou, em declarações à Lusa.

Para incentivar o público a regressar aos museus, monumentos e palácios nacionais, encerrados desde 15 de janeiro, a DGPC irá levar a cabo uma campanha de informação nas redes sociais, explicando que “as visitas são seguras, já que estes equipamentos vão cumprir todas as normas de segurança exigidas pela Direção-Geral da Saúde”, indicou Ângela Ferreira.

Salientou as vantagens da gestão interna dos equipamentos, da segurança e da simplificação do procedimento de aquisição dos bilhetes ‘online’ para qualquer um, e da “universalização do acesso a todos os cidadãos, em qualquer parte do mundo”, onde podem também obter informação sobre cada equipamento.

“Qualquer pessoa poderá comprar os bilhetes para os 25 equipamentos e receber a confirmação no telemóvel para entrar num museu, monumento ou palácio nacional”, salientou Ângela Ferreira, referindo-se ao sítio ‘online’ bilheteira.patrimoniocultural.pt, acessível pelos dispositivos móveis a partir de 05 de abril.

Sobre a afluência aos equipamentos culturais nacionais, este ano, depois de uma quebra acentuada de visitantes em 2020, de 70% – na mesma linha dos 77% que sofreram museus de todo o mundo -, devido às restrições sanitárias para combater a pandemia, a secretária de Estado disse que, como o encerramento de todos os espaços da cultura se verificou a 15 de janeiro deste ano, são muito poucos os dias úteis registados para avaliar o regresso.

Essa retoma é esperada por parte da tutela a partir de 05 de abril, como aconteceu na reabertura de 2020, muito alicerçada nos visitantes nacionais: “Os museus em Portugal estão a sofrer as vicissitudes de estarem encerrados, mas nos próximos meses contamos apresentar mensalmente novas exposições temporárias para dinamizar o verão, e atrair novos públicos nacionais e estrangeiros”, disse.

Recordou que os museus têm estado a trabalhar para prolongar exposições que deveriam ter aberto em fevereiro deste ano, como foi o caso da mostra “Guerreiros e Mártires”, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, que ficará patente até ao final de abril.

“Haverá esse trabalho de criação de uma oferta mais dinâmica de exposições temporárias nos próximos meses, e também de uma programação cultural paralela com espetáculos de música, cinema e dança”, indicou.

Quanto ao apoio ao setor dos museus, no quadro da pandemia, Ângela Ferreira recordou que o investimento no Programa de Apoio a Museus, da Rede Portuguesa de Museus – ProMuseus 2021, que inicialmente tinha um valor previsto de 600 mil euros para candidaturas a projetos, foi reforçado com mais 400 mil euros, passando a dispor de um total de um milhão de euros.

“A abertura deste concurso [a 22 de março] vai permitir aos membros da Rede Portuguesa de Museus apresentarem projetos de vária ordem, desde exposições até ao âmbito dos serviços educativos”, salientou a governante.

Questionada pela Lusa sobre o levantamento que estava em curso das obras necessárias nos equipamentos da DGPC, Ângela Ferreira disse que “está concluído, e haverá novidades sobre a situação nas próximas semanas”.

Também sobre o levantamento que estava em curso das necessidades de recursos humanos, de cuja carência diretores de museus e monumentos se queixam há mais de uma década, a secretária de Estado disse que essa pesquisa “foi feita, e falada no parlamento, justificadamente, por causa do processo de recrutamento na administração pública, que é uma questão centralizada”.

“O que estamos a fazer é, seguir essa estratégia concertada e articulada com o recrutamento – temos processos concursos a decorrer para vigilantes, e para algumas dezenas de técnicos superiores, como arqueólogos e conservadores – mas o grande pilar, e o que fazia mais falta, era a questão do emprego científico”, avaliou.

Nesse âmbito, Ângela Ferreira disse que serão abertos, no início de abril, um primeiro aviso para cerca de 40 bolsas de doutoramento, em articulação com a Fundação para a Ciência e Tecnologia [FCT], que reforçará o estudo das coleções, e vai promover e qualificar as equipas de museus, monumentos e palácios, e no Laboratório José de Figueiredo”.

A responsável disse que “foi feito um levantamento detalhado das necessidades para este projeto”, que cobre áreas de antropologia, arqueologia, arquitetura, design, história da arte, entre outras, e que prevê a criação total de uma centena de bolsas de doutoramento, 40 em 2021, mais 30 em 2022, e outras 30 em 2023.

“Por outro lado, estamos a trabalhar em articulação com os museus e as universidades, para que este emprego qualificado possa fazer a passagem de conhecimento nos equipamentos culturais e desenvolver programas temáticos, aprofundar a investigação e qualificar estas equipas”, acrescentou.

Quanto aos contratos de emprego científico, estão previstos dez por ano, até 2023, num processo que está a ser ultimado com a FCT.

Em abril próximo, entrarão também em funções nove diretores de museus e monumentos nacionais, em resultado da primeira fase do concurso internacional para os cargos de direção lançado pela DGPC.

Questionada sobre a segunda fase desse concurso, Ângela Ferreira disse à Lusa que deverá estar concluída no final de maio, início de junho deste ano.

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