As obras, que já se encontravam depositadas ou confiadas àqueles dois museus, em Lisboa, pertenciam, respetivamente, às coleções privadas de Isabel Vaz Lopes e de Victor Bandeira.

De acordo com um comunicado da Direção-geral do Património Cultural (DGPC), foram adquiridas quatro fotografias, no valor de 35.200 euros, da coleção privada de Isabel Vaz Lopes, para o acervo do Museu do Chiado, e a escultura "Discípulo escutando Buda", da coleção de Victor Bandeira, por 30 mil euros, para o Museu Nacional de Etnologia.

Ainda segundo o comunicado da DGPC, a decisão surge na sequência de uma proposta de aquisição apresentada pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC) no passado dia 18 de outubro, referente a um total de seis obras da coleção privada de Isabel Vaz Lopes, que ali se encontra depositada.

As obras que vão ser adquiridas a Isabel Vaz Lopes são duas peças da série “Shelter”, de Augusto Alves da Silva, uma da série sem título de José Luís Neto e “Full Moon”, de Júlia Ventura.

A DGPC indica que, na mesma minha da política de incorporação de obras nos museus nacionais, vai ser adquirida, pelo valor de 30 mil euros, a escultura "Discípulo escutando Buda" (proveniente de Myanmar, séculos XVIII/XIX), que integra a coleção de Victor Bandeira confiada ao Museu Nacional de Etnologia.

Esta obra de caráter religioso integra a exposição “De Regresso à Luz. Esculturas orientais em depósito da Coleção de Victor Bandeira”, patente no Museu de Etnologia de 13 de outubro a 11 de fevereiro de 2018.

Na terça-feira, a diretora do Museu do Chiado, Aida Rechena, contactada pela agência Lusa, tinha revelado o envio de uma proposta para a DGPC no sentido de adquirir seis obras em fotografia da coleção privada de Isabel Vaz Lopes, ali em depósito desde 2012.

A responsável tinha também avançado que "poderão seguir-se outras propostas para a aquisição de obras de outra tipologia", da mesma coleção, para aquele museu.

Em causa estava um pedido da colecionadora privada Isabel Vaz Lopes, que, através de um protocolo assinado com o Museu do Chiado, tinha depositado 31 obras de artistas portugueses, entre os quais o fotógrafo Paulo Nozolino e os escultores Rui Chafes e Pedro Cabrita Reis.

No final de setembro, o jornal Público noticiou a intenção da colecionadora de retirar as obras do museu, justificando o pedido de devolução para "encerrar uma fase" da vida, tendo falado também em cansaço, criticando o que considerava ser uma falha no enquadramento do "papel cívico" dos colecionadores na política dos museus.

A colecionadora tinha feito um primeiro protocolo com Pedro Lapa, diretor do Museu do Chiado entre 1998 e 2009, e, segundo explicou ao jornal, a intenção era dar, na altura, "um exemplo a outros colecionadores que poderiam fazer depósitos no museu".

Em 2015 saíram já seis obras do conjunto, que Aida Rechena avaliou como "importante no quadro do acervo do museu".

Aida Rechena indicou à Lusa que a colecionadora e proprietária pediu a devolução de todas as obras, justificando o pedido com "motivos pessoais e de gestão da coleção privada".

"Considerando que a colecionadora acionou, como é seu direito, a cláusula de denúncia do protocolo, o museu vai desafetar as obras, com autorização superior da DGPC", indicou a diretora do Museu do Chiado à Lusa.

Instalado no Convento de São Francisco, no centro de Lisboa, o Museu do Chiado alberga a coleção de arte portuguesa, de 1850 à atualidade, incluindo pintura, escultura, desenho e vídeo, entre outros ‘media’.

Por seu turno, o Museu Nacional de Etnologia possui um acervo com um total aproximado de 40.000 objetos oriundos de diversas partes do mundo, sendo as coleções mais representativas de Portugal, continental e insular, e as do antigo Ultramar português.

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