Nascido em julho de 1931, ficou conhecido por filmes como "A lenda do santo bebedor", adaptação da novela de Joseph Roth, que lhe valeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, em 1988, e "A árvore dos tamancos", Palma de Ouro no festival de Cannes, em 1977, e César de melhor filme estrangeiro, no ano seguinte.

Herdeiro do neorrealismo italiano, Olmi estreou-se na realização com "Il tempo si e' fermato" (1959), a que se seguiram "Il posto" (1961) e "I fidanzati" (1963).

A preocupação com as classes marginalizadas da sociedade industrializada levou-o aos documentários "Nino il fioraio" (1967) e "Beata gioventù" (1967), à longa-metragem "Un certo giorno" (1968) e a trabalhos para a televisão italiana como "La cotta" (1967), "I recuperanti" (1970) e "Durante l'estate" (1971).

"A árvore dos tamancos", sobre o campesinato italiano no alvor do século XX, surgiu em 1977, depois de quase uma década afastado das salas de cinema.

Em 1982, trocou a cidade de Milão pela localidade de Asiago, na região de Veneto, nordeste de Itália, onde inaugurou a escola Ipotesi Cinema, com o objetivo de formar novas gerações de cineastas.

"A lenda do santo bebedor", em 1988, marcou o seu regresso ao circuito internacional, com prémios em Veneza, entre outros festivais, como os de melhor filme e melhor realização.

Entre os seus últimos trabalhos estão "Il mestiere delle armi" (2001), "Tickets" (2005), "Giuseppe Verdi - Un ballo in maschera" (2006) e "Centochiodi" (2007).

Além do cinema, Olmi dedicaou-se igualmente à literatura, tendo publicado "Ragazzo della Bovisa" (2004), "L'apocalisse è un lieto fine. Storia della mia vita e del nostro futuro" (2013) e "Torneranno i prati" (2014).

Em 2008, o Festival de Veneza concedeu-lhe o Leão de Ouro de Carreira.

"O que eu procuro dizer nos filmes, deriva e pertence a esse mundo, o mundo que eu conheci pessoalmente: a indústria moderna e a civilização que esta cria", disse Ermanno Olmi sobre o seu percurso, citado pela Cinemateca Portuguesa, que dedicou uma retrospetiva ao cineasta, em 2012.

Em 2014, na passagem dos 100 anos sobre o início da II Guerra Mundial, a Cinemateca associou-se às instituições que, em vários pontos do globo, promoveram em simultâneo a estreia mundial de "Torneranno i prati", da última longa-metragem de ficção de Ermanno Olmi.

Há um mês, a Festa do Cinema Italiano apresentou em Lisboa o mais recente filme do realizador, "Vedete, sono uno di voi" (2017), obra documental sobre o cardeal de Milão Carlo Maria Martini, que apresentava como um dos mais progressistas da história da igreja católica.

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