A iniciativa partiu do escritor Alberto Manguel, no âmbito da celebração dos 700 anos da morte do poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321), autor do poema épico e teológico “A Divina Comédia”, que narra uma viagem pelo Inferno, Purgatório e Paraíso.

“A Divina Comédia” está, então, dividida em três partes, cada uma das quais contendo 33 cantos que, juntamente com mais um introdutório, perfazem um total de 100 cantos.

“Pedimos aos poetas que ecoassem ou respondessem aos versos de Dante na linguagem do nosso tempo, no seu estilo e com o seu entendimento da história de Dante”, revelou Alberto Manguel.

O resultado é um livro editado pela Tinta-da-China, que tem uma apresentação no sábado, na Casa Fernando Pessoa, com leituras ao vivo feitas por alguns dos poetas, e que chegará depois às livrarias no dia 13 de janeiro de 2022.

“Como é óbvio, não podiam reproduzir se as circunstâncias da criação da Divina Comédia: os primeiros anos de Dante, a sua educação poética, a experiência como soldado e diplomata, o infame exílio. Mas talvez um poeta, mesmo quando separado de Dante por um abismo de sete séculos, possa responder lhe aos versos, a partir do seu lugar e do seu tempo”, acrescenta o promotor da iniciativa, citado pela editora.

Para o bibliófilo, esta é a “melhor maneira de prestar homenagem ao que é talvez o maior poema jamais escrito”.

Segundo Clara Riso, diretora da Casa Fernando Pessoa, o convite seguiu para os poetas, explicando a proposta e a sua única condição: que o novo texto não fosse mais longo do que o canto a que responde.

O resultado é “Poetas de Dante”, um volume com 400 páginas que reúne novos poemas que, na maior parte dos casos, são “livres reações à leitura”, acrescenta.

No lançamento do livro, que decorre a partir das 15:00 de sábado, haverá leituras feitas por vários poetas do livro: Fernando Pinto do Amaral, Matilde Campilho, Miguel Cardoso, Rita Taborda Duarte, Vasco Gato, Nuno Júdice, Filipa Leal Elisabete Marques, Ricardo Marques, Miguel Martins, Luís Filipe Castro Mendes, Rosa Oliveira, Jaime Rocha, Cláudia R. Sampaio, João Paulo Esteves da Silva, Ana Paula Tavares e André Tecedeiro.

Os restantes poetas são Catarina Nunes de Almeida, Ana Luísa Amaral, José Carlos Barros, Pedro Eiras, Tatiana Faia, Andreia C. Faria, Margarida Vale de Gato, Raquel Nobre Guerra, Regina Guimarães, Daniel Jonas, Miguel Manso, Ana Martins Marques, Rosa Maria Martelo, José Viale Moutinho, Maria do Rosário Pedreira, Alberto Pimenta e Luís Quintais.

Esta edição, que resulta de uma parceria entre a Tinta-da-China, a Casa Fernando Pessoa e o Centro de Estudos de História da Leitura, inclui prefácio de Alberto Manguel, posfácio de António Mega Ferreira e a tradução dos cantos (Jorge Vaz de Carvalho, INCM) antes de cada poema original.

A Casa Fernando Pessoa tem também em curso uma exposição temporária, que ficará patente até março de 2022, subordinada ao tema “Marionetas da Comédia de Dante. Folhas que o vento colhe”, que se integra igualmente na celebração do 700.º aniversário da morte do poeta.

As marionetas foram feitas por Alberto Manguel a partir de representações célebres das personagens de “A Divina Comédia”, e a exposição é organizada pelo Centro de Estudos de História da Leitura e a Casa Fernando Pessoa.

Estas são duas das primeiras iniciativas do novo Centro de Estudos da História da Leitura, do qual Alberto Manguel é diretor e que, futuramente, ficará instalado no Palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes, na proximidade do Museu Nacional de Arte Antiga, que reunirá toda a biblioteca do autor e bibliófilo argentino, composta por 40 mil volumes.

Este espólio, que inclui obras de literatura e não ficção nas áreas das artes e humanidades, foi doado à Câmara Municipal de Lisboa em 2020.

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