Na noite de sexta-feira, dezenas de pessoas com bandeiras verdes e amarelas, fogos de artifício e um equipamento de som, em volume muito alto, tentaram impedir o jornalista de falar com o público que lotou o cais de Paraty num evento paralelo à Flip.

Greenwald participou num debate organizado por editoras independentes sobre jornalismo de investigação, juntamente com o comediante e apresentador Gregório Duviver e o jornalista Sergio Amadeu.

Durante a intervenção, Greenwald reafirmou a veracidade dos diálogos que estão a ser publicadas pelo portal The Intercept e alguns órgãos de comunicação brasileiros parceiros, como o jornal Folha de S.Paulo, a revista Veja e a TV Bandeirantes, que colocaram em causa a imparcialidade da Operação Lava Jato.

"A 'media' brasileira, com poucas exceções, publicou muitas coisas, muitos vazamentos [de informações sobre investigações da Lava Jato] que queriam que fossem conhecidas, mas não investigou juízes e procuradores [quando] havia muitas suspeitas de que eles eram corruptos e estavam fazendo coisas por motivos políticos", disse Greenwald.

"A máscara do Moro caiu para sempre (...) Estamos muito mais perto do começo do que do fim. Temos muito mais para revelar", frisou, referindo-se a conversas ilegais alegadamente mantidas pelo ex-juiz e atual ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, com os procuradores da Lava Jato que o Intercept recebeu de uma fonte anónima.

Enquanto o jornalista norte-americano falava num barco no porto de Paraty, pessoas que se opunham à sua presença na cidade recorreram a amplificadores de som para elevar o volume do fogo de artifício e do hino nacional brasileiro, que acabaram por ser ouvidos também dentro da tenda principal da Flip, onde ocorria uma mesa com a artista portuguesa Grada Kilomba.

Após o protesto, o ativista e escritor indígena brasileiro Ailton Krenak, que participou da última mesa de debate da Flip ao lado do diretor de teatro brasileiro José Celso Martinez, ironizou o protesto, afirmando que no Brasil muitas pessoas estão "a viver uma experiência de resistir" a pessoas que apelam para a "força bruta".

Antes do tumulto, as escritoras Ayelet Gundar-Goshen, de Israel, e Ayobami Adebayo, da Nigéria, falaram ao público que acompanha a feira literária sobre família e a posição da mulher em sociedades tradicionais.

A escritora venezuelana Karina Sainz Borgo também foi destaque na programação de sexta-feira ao participar de um debate com o escritor brasileiro Miguel Del Castillo sobre países em conflito.

Maior encontro literário do Brasil, a Flip acontece até o próximo domingo, na cidade de Paraty, no litoral do estado brasileiro do Rio de Janeiro.

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