“Faremos das tripas coração para continuar a oferecer um serviço público de teatro de qualidade, ao maior número e à maior diversidade de pessoas”, afirmou Tiago Rodrigues, em entrevista à agência Lusa.

O diretor artístico do D. Maria II não tem, porém, dúvidas de que se trata de um trabalho “árduo” já que exige “uma recuperação inevitável do momento catastrófico” que o teatro, de uma forma geral, e o D. Maria, em particular, têm vivido desde março último, devido à pandemia de covid-19.

“Recuperação e transição” são pois, as “palavras-chave” da gestão artística daquela sala de espetáculos ao Rossio, frisou.

Ao nível da recuperação, Tiago Rodrigues afirmou que o Nacional D. Maria tudo fará para recuperar das fragilidades impostas pela pandemia, bem como para ajudar “companhias e artistas” a recuperarem do mau momento que todos estão a viver.

O desafio passa por saber como vão programar “de forma a manterem ou aumentarem o nível de qualidade do serviço público que prestam às pessoas”, com o “cuidado de ajudarem a recuperar o teatro português”, de modo a que artistas, companhias “e aquilo que é a vida do teatro português esteja a ser fortalecida pela ação do [próprio] teatro”, disse.

Essa é a estratégia a tentar desenvolver, de momento, que exige que as soluções não sejam apenas pensadas “no curto prazo”.

O golpe da covid-19 foi tão duro que “isto já não pode ser considerado um estado de exceção”, sublinhou.

“O teatro em Portugal sofreu um choque, há cerca de um ano, por isso há que pensar na sua recuperação”.

A esta “palavra-chave”, Tiago Rodrigues acrescenta outra, ao defender que o trabalho, nos próximos três anos, se vai pautar também necessariamente por outra: transição.

“Transição climática e transição para uma melhor sustentabilidade”, que são outras metas do teatro. Por isso, o edifício sofrerá obras, mas a transição não se limita a elas.

“Tem de passar por práticas diárias mais ecológicas e mais sustentáveis”, afirmou.

A democratização do acesso ao teatro é outra das apostas de Tiago Rodrigues. Para tal, defende que o D. Maria II garanta maior diversidade no palco, refletindo a representatividade da mulher e dos artistas negros no teatro português.

“É ainda uma luta [o anti-racismo], como o é a do estatuto da mulher no teatro português, nomeadamente ao nível da criação. E há que a fazer [essa luta], que a por em prática”, afirmou.

O diretor do D. Maria II afirmou também a necessidade de abertura do palco a criações de artistas com deficiências.

Questionado sobre que autores serão postos em cena no próximo triénio, Tiago Rodrigues disse que continuará a apostar nos “grandes autores e autoras da história do teatro, com linguagens artísticas do nosso tempo”.

A equipa vai também continuar a promover o Nacional como “casa da escrita”, não apenas no que respeita a novas dramaturgias portuguesas como também a “autores da lusofonia”.

Neste triénio, o D. Maria II vai ainda reforçar a relação com a dramaturgia internacional, nomeadamente com a francesa, tanto ao nível da escrita como da encenação, através da relação a estabelecer “com a Temporada Cruzada Portugal/França, que irá ocorrer em 2020″, na sequência das presidências portuguesa e francesa do Conselho Europeu, “e que irá reforçar a ligação com o teatro francófono”.

Sobre o reforço da atenção do D. Maria aos públicos mais jovens, Tiago Rodrigues disse que, no próximo ano, irão apostar num projeto recente que consiste na formação de grupos escolares da região de Lisboa.

Trata-se de um projeto destinado a combater o insucesso escolar, que vai abranger sete escolas da região de Lisboa e outros tatos grupos de teatro, e que consiste também na realização de um festival de teatro, adiantou.

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