Os andaimes e o estaleiro começam a ser desmontados na quarta-feira e o monumento fica sem sinais das obras na próxima semana, revelou hoje Rafael Alfenim, arqueólogo da Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCAlen).

O responsável, que falava à margem de uma visita de jornalistas ao monumento, indicou que as obras permitiram “resolver as situações mais críticas”, nomeadamente o risco de queda de fragmentos de alguns capitéis.

“Esta intervenção foi para melhorar o seu estado de conservação e prolongar-lhe a vida. Ficou de melhor saúde do que estava anteriormente”, resumiu Maria Fernandes, da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

Segundo os dois técnicos, além da conservação e restauro, foi feito também um mapeamento em desenho e fotografia do monumento, que vai permitir que, no futuro, seja “mais fácil atuar” quando existir alguma anomalia.

“A estrutura não é tão problemática e tem mais resistência sísmica do que era de esperar, mas os materiais [pétreos] só agora é que foram avaliados mais sistematicamente”, indicou o arqueólogo Rafael Alfenim.

O técnico da DRCAlen contou que, durante os trabalhos, foi possível recolocar duas peças nos capitéis que estavam na reserva do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e que não se sabia a qual era a sua origem.

“Nunca se pode dizer que um monumento destes está conservado para sempre”, disse, admitindo que “haverá sempre necessidade de fazer acompanhamento e intervenções que se manifestem necessários”.

Os elementos em mármore que estavam em risco nos capitéis, precisou Maria Fernandes, da DGPC, foram estabilizados com recurso a “uma argamassa estudada com base em cal e inertes muito finos de pó de pedra”.

O diretor do Laboratório HERCULES da Universidade de Évora, António Candeias, assinalou que “foi uma oportunidade para recolher materiais que vão dar informação” sobre as técnicas e tipos de materiais utilizados na construção do monumento.

Por outro lado, revelou que o Laboratório HERCULES criou um modelo a três dimensões dos capitéis e que, num deles, testou “um novo biocida que é não tóxico” e que gerou “resultados muito promissores”.

Construído há dois mil anos, com mármores de Estremoz e Vila Viçosa e granitos da zona de Évora, o Templo Romano, único no país e um dos mais notáveis da Península Ibérica, é monumento nacional e está abrangido pela classificação do centro histórico da cidade como Património Mundial, pela Organização das Nações Unidas, para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

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