“O esforço orçamental é muito significativo, requer uma liquidez muito grande da parte do Estado, estamos a falar mais de liquidez do que da estrutura da execução orçamental”, reconheceu Mário Centeno, referindo, mais tarde, que o total de apoios pode ser superior a 20 mil milhões de euros, incluindo moratórias às empresas.

O ministro elencou os valores estimados do impacto das medidas do Governo, começando por referir que cada mês com um milhão e meio de trabalhadores em ‘lay-off’ (suspensão temporária do contrato de trabalho) “pode ter um custo aproximado de mil milhões de euros”.

“O esforço de execução de despesa adicional no SNS [Serviço Nacional de Saúde] aponta para valores que durante o ano ultrapassarão os 500 milhões de euros”, quantificou Mário Centeno.

O ministro acrescentou que os valores são “da mesma ordem de grandeza quer no reforço do subsídio de desemprego, quer de outras prestações sociais, que vão necessariamente ser reforçadas”.

Mário Centeno relembrou ainda que dentro do mecanismo de ‘lay-off’ simplificado do Governo há “um apoio extraordinário às empresas no primeiro mês de reinício de atividade, e esse esforço é equivalente neste momento a um salário mínimo por trabalhador, e tem um impacto financeiro que é ‘one-off’ e que é muito significativo”.

“Estamos a falar de esforços de liquidez, com o desfasamento da receita fiscal, que podem facilmente atingir quatro mil ou cinco mil milhões de euros, com o esquema que foi proposto às empresas e ao qual elas têm ao longo do mês de abril vindo a aderir, quer na Autoridade Tributária, quer na Segurança Social”, referiu.

O ministro concluiu: “Tudo somado, estamos a falar de valores que podem exceder, se somarmos as moratórias de apoio às empresas, os 20 mil milhões de euros ao longo do ano de 2020″, referiu.