"Temos uma capacidade de compreender, de dialogar, de aproximar pessoas. Somos assim. Nós unimos, não dividimos, nós criamos a paz, não a guerra. É assim que nós somos, é essa a nossa força, é essa a vossa força", enalteceu o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa falava em Providence, nos Estados Unidos da América, no final das comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, que teve este ano passagem por Ponta Delgada, nos Açores, e por Boston e Providence, nos Estados Unidos.

Dirigindo-se a algumas centenas de pessoas em Providence, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que Portugal e os seus representantes podem parecer estar longe, mas tal não é verdade.

"Às vezes parece que estamos longe. Não estamos, estamos perto", disse, depois de elogiar aqueles que "todos os dias criam Portugal" em Providence.

O chefe de Estado falou depois do primeiro-ministro, António Costa, e no seguimento da festa do “Waterfire”.

Ao longo de centenas de metros, rodeados por milhares de pessoas, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, juntamente com outros 14 portugueses que se distinguiram no último ano nos Estados Unidos, transportaram nas suas mãos uma tocha.

Durante o caminho, apenas iluminado por tochas, Marcelo Rebelo de Sousa foi efusivamente saudado por muitos portugueses e lusodescendentes, que tentaram a todo o custo aproximar-se do Presidente da República para tirar com ele fotografias.

Marcelo e o mistério do 'mayor' desaparecido

Durante as festividades, Marcelo recebeu do 'mayor' de Providence a chave da cidade, mas na hora de agradecer o gesto o político norte-americano havia saído de cena, o que provocou um momento inusitado.

"'Mayor' Jorge Elorza, obrigado pela chave de Providence. Onde está você? Desapareceu. Onde está o 'mayor'? Desapareceu. Precisamos do 'mayor'. É um mistério, o mistério do 'mayor' que desapareceu", gracejou Marcelo Rebelo de Sousa, numa cerimónia no âmbito do 10 de Junho, Dia de Portugal.

Coube depois a Marcelo a dirigir-se à população, primeiro em inglês e depois em português, para dizer que a chave não lhe pertencia na verdade.

"A chave não é para mim, é para vocês", disse, perante aplausos de algumas centenas de pessoas, parte delas representantes de "gerações e gerações de portugueses" a viver na cidade norte-americana, que dista a cerca de uma hora de Boston.

Em 2016, ano em que tomou posse como chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa lançou um modelo inédito de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, acertado com o primeiro-ministro, António Costa, em que as celebrações começam em território nacional e se estendem a um país estrangeiro com comunidades emigrantes portuguesas.

Nesse ano, o Dia de Portugal foi celebrado em Lisboa e Paris e, em 2017, no Porto e nas cidades brasileiras do Rio de Janeiro e São Paulo.

No país presidido atualmente por Donald Trump vivem cerca de 1,4 milhões de portugueses e lusodescendentes, estimando-se que 70% sejam de origem açoriana.

Costa salienta “amor” comum dos EUA e de Portugal pela democracia e liberdade

O primeiro-ministro, António Costa, que tomou a palavra antes de Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou-se confiante na solidez futura das relações entre Portugal e Estados Unidos, defendendo que os dois países estão unidos por valores comuns como o amor à liberdade e à democracia.

Na breve intervenção, o primeiro-ministro recorreu ao percurso histórico de Portugal e dos Estados Unidos para justificar a sua tese sobre a existência de uma aliança estrutural entre os dois países, independentemente das conjunturas mundiais.

"É absolutamente essencial continuarmos a estreitar as relações entre Portugal e os Estados Unidos, porque somos ambos duas democracias, ambos amamos a liberdade e o esforço e o respeito de cada um para construir a prosperidade. É nessa comunidade de valores que Portugal e os Estados Unidos vão continuar a construir um futuro cada vez mais próximo através deste oceano Atlântico que une os nossos dois países", disse.

António Costa dirigiu também palavras à comunidade portuguesa, dizendo que o objetivo dos órgãos de soberania nacionais "é estreitar cada vez mais as relações com a diáspora portuguesa".

"Por isso, a Assembleia da República aprovou uma nova lei da nacionalidade que facilita aos netos dos portugueses a obtenção da nacionalidade. Por outro lado, o Governo aumentou o prazo de validade do cartão do cidadão, assegurando-se que cada titular está automaticamente recenseado para poder participar nas eleições em Portugal. É muito importante a vossa participação, quer aqui nos Estados Unidos, quer lá em Portugal", afirmou.

Tal como tinha feito horas antes em Boston, o líder do executivo referiu-se ao programa de visita aos Estados Unidos, que termina no próximo sábado.

"Vou ficar esta semana nos Estados Unidos para promover o investimento em Portugal, mas sei que o meu trabalho está muito facilitado, porque sempre que falamos com um americano ele conhece bem Portugal através de cada um de vós. Esse é o melhor cartão-de-visita que Portugal pode ter nos Estados Unidos", declarou, dirigindo-se novamente à plateia de elementos da comunidade portuguesa e lusodescendentes.

Antes do discurso de António Costa, a governadora do estado de Rhode Island, Gina Raimondo, num gesto invulgar, assinou na tribuna dos oradores um decreto que permite aos membros da comunidade portuguesa usarem um emblema com as cores e o escudo nacional na matrícula dos seus carros.

Uma decisão de caráter simbólico, cuja importância é de difícil compreensão para os residentes em Portugal, mas que foi muito saudada pelos portugueses e lusodescendentes.

A assistir a este espetáculo estavam deputados de todas as forças políticas representadas na Assembleia da República: Rubina Berardo (PSD), Lara Martinho (PS), Luís Monteiro (Bloco de Esquerda), Telmo Correia (CDS-PP), António Filipe (PCP) e José Luís Ferreira (PEV).

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