Cerca de 45 mil pessoas manifestaram-se hoje em Barcelona a favor da criação de uma República da Catalunha independente de Espanha, um protesto organizado pela associação independentista ANC, de acordo com os cálculos da polícia urbana.

O protesto organizado pela Assembleia Nacional Catalã (ANC) arrancou às 16:15 e acabou às 17:30 (hora de Lisboa) e visava pressionar os partidos independentistas catalães a chegarem a um acordo que permita formar um governo que avance para a independência da região.

Em finais de outubro, o governo regional catalão - liderado por Carles Puigdemont - e os partidos no parlamento regional que o apoiavam (Esquerra Republicana Catalana, Partido Democrata Europeu Catalão e Candidatura Unitária da Catalunha) declararam unilateralmente a independência da região.

Na sequência, o governo central em Madrid suspendeu a autonomia da região, dissolveu o parlamento, afastou o governo regional (Generalitat), assumiu a gestão corrente da região e convocou eleições antecipadas na Catalunha para 21 de dezembro.

A justiça espanhola emitiu então ordens de detenção para o então presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, e outros líderes independentistas. O vice-presidente, Oriol Junqueras, foi detido (e ainda se encontra em prisão), tal como o dirigente máximo da ANC, Jordi Sánchez.

Puigdemont acabaria por escapar à detenção, fugindo para Bruxelas com cinco dos seus conselheiros, onde ainda se encontra.

Nas eleições de 21 de dezembro, os partidos independentistas conseguiram votos suficientes para manter a maioria parlamentar. No entanto, a nova plataforma eleitoral de Puigdemont, o Junts per Catalunya (JxC) queria que fosse este a ser investido como Presidente da Generalitat, apesar de estar fugido à justiça em Bruxelas.

A justiça espanhola afirmou que não seria válida uma investidura por Skype, como propunha o JxC. A outra solução apresentada ao presidente da Mesa de Assembleia Regional seria a investidura de Jordi Sánchez (eleito pela lista da JxC), mas o juiz do Supremo Espanhol que conduz o processo não o liberta para estar presente no plenário de votação no parlamento regional.

Puigdemont, Junqueras, Sánchez e outros líderes independentistas foram formalmente acusados de rebelião, sedição e uso fraudulento de dinheiros públicos (peculato). Puigdemont será detido se regressar a Espanha.

As regras do Parlamento Regional catalão exigem a presença física dos candidatos a presidente, que são escolhidos por votação presencial dos deputados eleitos.

Atualmente, os partidos independentistas não se põem de acordo quanto a outras soluções para formar governo, e os partidos soberanistas não têm votos suficientes para tentar investir a líder do Ciudadanos na Catalunha, Inés Arrimadas, a mais votada a 21 de dezembro.

Face à situação, o governo central em Madrid continua a fazer a gestão corrente da autonomia da Catalunha, ao abrigo da aplicação do artigo 155 da Constituição Espanhola.

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