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A invasão russa da Ucrânia domina os editoriais de hoje da imprensa portuguesa, que sublinham as consequências para a Europa e os desafios que esta guerra trará para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

“Apesar de Kiev estar a 4.095 quilómetros de Lisboa, ninguém ficará imune a esta guerra. As consequências chegarão a Portugal, sobretudo pelos motivos económicos”, escreve a direção do Diário de Notícias, sublinhando o facto de as sanções já anunciadas contra a Rússia não terem efeitos imediatos.

“Enquanto o mundo vai reagindo e decidindo sanções, nenhuma delas com efeitos imediatos - a menos que se atue sobre o sistema de transferências financeiras SWIFT, bloqueando-o como se antevê -, Putin ganha terreno”, acrescenta.

No Expresso, o diretor-adjunto João Vieira Pereira escreve que “o mundo foi tolerando Putin, normalizou-o e deixou de o olhar com desconfiança, isto apesar da sua eternização no poder”, considerando que “a forma como foi construindo um Estado autocrático, assassinando opositores, silenciando a oposição interna e manobrando o poder em vários Estados vizinhos foi simplesmente desvalorizada”.

“Esta guerra no limite da Europa é, muito provavelmente, o início de um conflito armado longo e com repercussões imprevisíveis”, sublinha.

Já no jornal Público escreve-se que a “velha Europa, de blocos cortinas, alianças, eixos, cínica e belicosa, está de volta”.

“A Europa essencial, a das democracias, preservou sem equívocos a sua união neste conflito, mas terá de encontrar novas respostas para se defender de uma ameaça declarada. Terá de encontrar resposta a uma incontornável e difícil pergunta: como travar uma potência imperialista e agressiva às suas portas?”, afirma o diretor Manuel Carvalho, que considera que o “chapéu da NATO tem de ser reforçado, com meios próprios e autonomia".

As mudanças que este conflito trará para a Europa são igualmente sublinhadas no editorial do Correio da Manhã (CM), que sublinha que “Putin repetiu a cartada da Geórgia, quando lhe subtraiu 20 por cento do território, ao reconhecer, em 2008, a Abecásia e a Ossétia do Sul”.

“Agora, com o confronto da proximidade e dos muitos interesses que o ligam à China, jogou uma cartada decisiva. Invade a Ucrânia e lança a ameaça nuclear contra todo o Mundo ocidental”, considera o diretor-geral adjunto do CM, Eduardo Dâmaso, que assina o editorial.

Dâmaso diz ainda que a aliança de Putin com a China o “empurrou para esta guerra” e que “a estratégia do Ocidente não tem sido a mais adequada“.

"Desde logo, mostra que é perigoso ceder à gula do dinheiro russo, como fizeram muitos governos. Significa ainda que tudo tem de mudar. Se ainda formos a tempo”, acrescenta.

A direção do Jornal de Notícias (JN) sublinha igualmente as consequências desta guerra para a Europa, escrevendo: “As escolhas de União Europeia serão decisivas para o seu próprio futuro”.

“Como sublinhou Úrsula Von der Leyen, o alvo dos russos não é apenas a Ucrânia, mas a estabilidade na Europa e a ordem internacional de paz”, acrescenta o JN, frisando as “consequências devastadoras” de um conflito armado.

Já o diretor executivo Vítor Rainho, que assina o editorial do jornal Inevitável, além das consequências deste conflito para a Europa, questiona o efeito das sanções económicas, escrevendo: “podem ser muito bem intencionadas, mas nada disso deverá travar as intenções de Putin, que tem um grande aliado na China – com quem poderá reforçar as trocas comerciais”.

O editorial do Inevitável destaca ainda a reação comunista à invasão da Ucrânia: “Colocaram-se ao lado de Putin - embora Jerónimo de Sousa o tenha depois acusado de ter feto um atentado à memória da União Soviética”.

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