Instado a comentar o setor dos media, mais concretamente as operações que envolvem a Media Capital, que foi alvo de uma proposta de compra pela Altice há três anos, Alexandre Fonseca começou por retratar a atual situação da comunicação social.

“Continuo a observar que é difícil o mercado dos media em Portugal, em termos de sustentabilidade, em termos de rácios económico-financeiros”, afirmou o presidente executivo da Altice, que falava num encontro com jornalistas em Picoas, Lisboa.

“Vimos agora, com o abanão que economia como um todo sofreu, os órgãos de comunicação social foram logo dos primeiros a ter um abanão mais forte e a ter impactos significativos”, prosseguiu.

Trata-se de um setor, “do ponto de vista de gestão, frágil e, por isso, setores frágeis carecem de parceiros fortes”, defendeu.

“E é por isso que tenho dito que o caminho no futuro – já disse que o tempo há de dar-me razão – é o que está a ser feito noutros países: convergência entre telecomunicações e media”, salientou, apontando que isso é “fundamental para a sustentabilidade dos media, em particular num momento de transformação digital”.

Relativamente à Media Capital – sobre a qual a Cofina lançou uma OPA em agosto sobre a totalidade das suas ações, mas que, entretanto, tem novos acionistas -, o gestor disse não poder “deixar de registar a perda de valor para o país”.

“O que assisto enquanto gestor é uma transação que em 2017 teria sido executada por 440 milhões de euros [valor da proposta da Altice] a ser agora executada por um quarto desse valor. Portanto, para o país houve perda de valor”, afirmou Alexandre Fonseca.

“A única questão que deixo no ar é que se houve uma perda de valor, algo aconteceu. Tem de se perceber o que aconteceu e quem são os responsáveis”, apontou.

“Porque é que não aconteceu uma transação de uma forma e aconteceu de outra, até hoje não foi justificado, até hoje continuamos a não ter um parecer formal, definitivo de uma entidade que tenha dito e explicado porque é que a transação não se executou”, acrescentou, aludindo ao facto de a compra da Media Capital pela dona da Meo não ter sido concretizada.

Alexandre Fonseca disse esperar que os media “ultrapassem este momento difícil” e que “haja em Portugal capacidade de investir”.

Os media portugueses “precisam de investimento para formatos novos, inovadores, diferentes, e para garantir a estabilidade de um setor que é crítico para o país, para a democracia”.

“Espero que estas movimentações que estão agora a acontecer garantam às entidades envolvidas a necessária tranquilidade e sustentabilidade para que sejam capazes de inovar” porque “nós enquanto distribuidores estaremos atentos”, disse, salientando que a aposta da Altice nos media não se faz apenas por fusões e aquisições.

Aliás, “vamos anunciar em breve ser produtores de um conjunto de filmes”, acrescentou Alexandre Fonseca.

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