"Estamos em Tomar, no distrito de Santarém, província do Ribatejo, o coração das relíquias da tauromaquia, setor que nos últimos anos tem somado derrota atrás de derrota", começou por sinalizar André Silva.

"Nos últimos seis anos a garraiada académica do Porto acabou, a de Coimbra terminou, a de Setúbal deixou de se fazer, e a de Évora já não se faz. E muito se deve à ação do PAN (...) porque no PAN pegamos a tauromaquia de caras".

"Onde estão as vozes que diziam que só nos preocupávamos com os animais? Estão silenciadas, porque a nossa obra fala mais alto", frisou, depois de destacar as conquistas do partido nos últimos anos.

"Hoje a nossa sobrevivência enquanto espécie depende da compreensão das relações de interdependência, sustentabilidade e empatia por todas as espécies do planeta. Depende de um exercício de humildade da nossa parte", disse André Silva.

André Silva quer partido fora do sistema

"É importante que o PAN mantenha uma atitude que, sendo construtiva, não se deixa acantonar à esquerda ou à direita, e não renuncia à sua autonomia para agradar a pretensos patrões políticos. É importante que o PAN, enquanto partido de charneira, continue a ser capaz de construir pontes para conseguir avanços nas causas, que não se transforme num partido do sistema, que não se institucionalize, ou seja, que não normalize o discurso, que não corrompa as suas linhas programáticas adoçando-as", defendeu.

O porta-voz, que deixa a liderança do partido, considerou também que "o PAN vai continuar a fazer a diferença na sociedade e na política", pois "conserva todas as condições para continuar a afirmar-se como um partido diferenciador, autónomo, progressista e que não se deixa condicionar pela dicotomia simplista e redutora de esquerda/direita".

"As causas do PAN são transversais a toda a sociedade e são maiores do que qualquer gaveta ideológica e do que qualquer pessoa ou projeto pessoal. O PAN vai continuar a ser um farol de progressismo e a esperança dos descrentes na política tradicional, com um cunho ativista, com propostas disruptivas mas que traduzem o espírito de um projeto político digno do século XXI", sustentou, advogando também que o partido "tem condições para continuar o caminho de sucesso que teve até aqui, uma vez que tem um coletivo partidário forte e com amplo espaço de intervenção assegurado por eleitos em diversos níveis de poder".

As próximas batalhas

Na sua intervenção, o líder cessante criticou que "orçamento após orçamento, o Governo continue a dar mais de 500 milhões de euros em subsídios perversos ao setor energético" e que "continue a existir uma legislação ambiental que dá carta branca a projetos que plastificam a costa vicentina ou a mega plantações intensivas em regiões com escassez hídrica".

"Não podemos aceitar que o mesmo Governo que gosta de se afirmar o campeão da alterações climáticas, seja o mesmo que quer construir, a todo o custo, um aeroporto no Montijo. Não podemos aceitar que o mesmo Governo que oferece mais de 10 milhões de euros ao baronato da caça, seja o mesmo que não tem dinheiro para apoiar os municípios no cumprimento das leis de proteção animal, como a do não-abate", continuou.

E lamentou que "o mesmo Governo que se esconde atrás dos entraves da burocracia de Bruxelas para não descer o IVA dos atos médico-veterinários para 13%, seja o mesmo que nada faz para estancar as perdas de mais de 1000 milhões ao ano para paraísos fiscais em fraude, evasão e elisão fiscais ou que por dois consecutivos dá borlas fiscais para o futebol por causa da champions league [Liga dos Campeões]".

"Não podemos aceitar que o mesmo Governo que diz que não tem dinheiro para assegurar uma redução de impostos para a classe média, seja o mesmo que, ano após ano, passa cheques em branco ao Novo Banco para pagar despesas não previstas nos acordos de venda", frisou também.

Na sua ótica, "estas são algumas das batalhas" que é necessário "travar para assegurar um país com um futuro desejável".

Porta-voz regressa será "filiado de base"

No seu discurso na abertura do VIII Congresso do PAN, que decorre em Tomar, no distrito de Santarém, o líder indicou que deixa hoje todos os cargos de direção partidária e renuncia ao mandato de deputado, regressando à "condição de filiado de base", decisão que anunciou em março.

Deixando "um profundo agradecimento dirigido a cada uma das pessoas que constitui este maravilhoso e promissor coletivo pelos incríveis últimos sete anos" da sua liderança, o porta-voz afirmou que viveu "intensamente os desígnios do PAN" e procurou "dar o máximo" da "forma que melhor soube".

"Procurei aprender com os erros cometidos. Chegou a hora de mudar de vida não só para aproveitar em pleno tudo aquilo de que abdiquei a nível pessoal nestes anos, mas também porque sou um convicto defensor do princípio da limitação de mandatos e entendo que numa democracia saudável as pessoas não devem eternizar-se nos cargos políticos, devendo dar oportunidade a outras pessoas", afirmou.

E garantiu que continuará, "ainda que de um modo diferente", na "linha da frente na defesa" do PAN.

André Silva salientou também que o PAN afirmou-se "a navegar no mar da controvérsia" e considerou que o partido vai consolidar-se "a usar a força do preconceito e dos interesses dos adversários".

No final da intervenção, André Silva foi aplaudido de pé pelos delegados, enquanto gritavam "viva o PAN".

*Com Lusa

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