"Nós não somos a bengala do PSD. Nós não somos o CDS do século XXI. Nós estamos aqui para transformar este país e por isso não aceitamos menos do que aquelas áreas que podemos efetivamente transformar", disse o presidente demissionário do Chega.

André Ventura reuniu-se hoje no Porto com militantes, a quem apresentou os ministérios que exigirá num Governo de direita que contemple o Chega na sua formação.

O presidente demissionário e deputado único do Chega avisou que o partido não será bengala de um Governo de direita, assumindo a sua ambição de governar Portugal.

"Quero deixar claro ao PSD que sem estas pastas não haverá Governo de direita em Portugal. Escusam de vir depois com o interesse nacional, com a pressão para tirar o Partido Socialista do Governo, com a pressão das condições que nós não estamos aqui para fazer jogos de poder", defendeu.

Aos militantes, André Ventura deixou claro que se for reeleito presidente do partido, não aceitará integrar um governo sem que os ministérios da Segurança Social, Agricultura, Defesa e Justiça fiquem sob a alçada do Chega.

Na Segurança Social, Ventura salientou que é preciso acabar com "a vergonha" a que se assiste há anos, dando como exemplo as baixas pensões por oposição a quem vive à custa do Estado.

O líder de extrema-direita criticou ainda o abandono dos polícias "à sua sorte", e o esquecimento das populações do interior, de quem quer ser a voz.

A Defesa é outra das pastas que André Ventura não está disposto a abdicar, considerando que os militares em Portugal são considerados "criminosos", assim, como a Justiça, numa missão contra a "impunidade".

Confinante de que o partido será capaz de atingir nas próximas eleições legislativas os 15%, o presidente demissionário do Chega apelou à unidade, defendendo que as energias dos militantes devem ser gastas com os que querem destruir o partido.

Desvalorizando a sondagem divulgada hoje e que indica que o Chega perdeu 1,8 pontos percentuais nas intenções de voto dos portugueses em fevereiro, Ventura sublinha que aconteça o que acontecer nas eleições internas do partido agendadas para 06 de março, o Chega não vai parar de crescer, mesmo sob "ameaça permanente".

"Nós temos o maior respeito pela Justiça portuguesa (...) mas sabemos também que há uma mão invisível do sistema conta nós e nessa mão invisível que nasce esta indigna tentativa de nos ilegalizar. (...) 46 anos depois de abril, 46 anos depois daquilo que dizem ser a democracia, ameaçam extinguir na secretaria um partido politico cujo líder foi o terceiro mais votado nas presidências e cuja força politica é terceira incontestável nas sondagens. Se isto não é uma ditadura à moda da Venezuela eu não sei o que é uma ditadura", rematou.

André Ventura demitiu-se uma segunda vez do cargo na sequência das eleições presidenciais de 24 de janeiro, nas quais foi o terceiro mais votado, mas falhou os objetivos de ficar à frente da ex-eurodeputada do PS Ana Gomes e forçar o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, a uma segunda volta.

Segundo a moção estratégica a que a Lusa teve acesso, o deputado único do partido da extrema-direita parlamentar defende que "a III Convenção [Nacional] terá de ser o passo definitivo" [do Chega] para alcançar a presença no executivo do país.

Até ao momento André Ventura não tem oposição, sendo o único candidato à liderança do partido cujas eleições diretas estão agendadas para o dia 06 de março.

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