António Costa, que hoje esteve na Guarda, no Parque Urbano do Rio Diz, no comício de apresentação da candidatura do socialista Luís Couto à presidência da Câmara local, que atualmente é presidida por Carlos Chaves Monteiro (PSD), lembrou que a última Cimeira Ibérica, que decorreu na Guarda e foi o culminar de uma reunião anterior iniciada em Vila Real, permitiu que, pela primeira vez, Portugal e Espanha tenham uma estratégia de desenvolvimento transfronteiriço comum para os territórios de ambos os lados da fronteira.

Uma estratégica, como referiu, que permitirá que os territórios transfronteiriços “não sejam os mais empobrecidos, os mais desertificados, os mais abandonados e sejam como são todas as regiões de fronteira da Europa, como é inclusive a região de fronteira da Espanha com a França, a mais desenvolvida dos seus países”.

“E nós temos de ter a capacidade de, de uma vez por todas, olhar para estas regiões, que têm aqui ao lado mais 50 milhões de habitantes, em Espanha, não como o interior do litoral, mas como uma centralidade da Península Ibérica. E é por isso que nós temos que aproveitar plenamente as oportunidades que a recuperação da Linha da Beira Baixa e que a recuperação em curso da linha da Beira Alta oferecem para o desenvolvimento deste território”, acrescentou.

Na opinião do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, o país tem de “aproveitar estes investimentos nestas infraestruturas para criar aqui novos polos de desenvolvimento, novas oportunidades de fixação das empresas”.

“E, por isso, o projeto do Porto Seco da Guarda é um projeto fundamental, estruturante para o desenvolvimento económico desta região”, rematou.

No seu discurso, falou também da necessidade da criação de emprego nas regiões do interior e de aplicar medidas para inverter a tendência demográfica que as afeta, que tem de ser “um grande objetivo nacional”.

“Precisamos de investir nas crianças e definir como prioridade a erradicação da pobreza infantil que é uma das maiores chagas sociais com que não podemos aceitar conviver. Mas precisamos também de criar condições para que as jovens famílias possam ter a liberdade de ter os filhos que desejam poder ter”, defendeu.

Adiantou que no próximo ano serão reforçados significativamente os apoios fiscais para que as famílias possam ter mais do que um filho, “aumentando as deduções fiscais para quem não está isento de IRS e aumentando os abonos para as famílias que, estando isentas de IRS, têm que ter também o mesmo apoio para poderem ter o segundo ou mais filhos, se assim o desejarem”.

O secretário-geral do PS disse, ainda, que no próximo mandato as autarquias vão ter maiores responsabilidades, devido à descentralização de competências, e realçou que durante a pandemia foram “absolutamente essenciais” no apoio prestado às populações.

Após a apresentação do candidato do PS à liderança da autarquia da Guarda, António Costa seguiu de comboio, pela Linha da Beira Baixa, para a cidade da Covilhã, para participar num comício com o candidato Vítor Pereira.

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