"Os mais antigos que se lembram de ver o Carlos Lopes e a Rosa Mota a ganhar as maratonas, lembram-se do que era assistir, durante aquelas duas horas, ao combate quilómetro a quilómetro para chegar aos 42 quilómetros da maratona. É um combate assim que temos de continuar até termos uma vacina". Foi com esta analogia que António Costa voltou a reforçar, junto dos jornalistas, em Bruxelas, onde vai apresentar o Programa de Resiliência para os próximos anos, o caminho que há a percorrer para voltar a contrariar o aumento dos números da pandemia em Portugal, que na quarta-feira levou a que o número de novos casos ascendesse aos dois milhares.

O primeiro-ministro afirmou que há duas formas de controlar a pandemia: "ou repetir o que fizemos em março e abril que é paralisar um conjunto de atividades" ou a "alteração dos nossos comportamentos".

"Fizemos um apelo muito vivo para que as pessoas passem a utilizar as máscaras também na rua, passem também a utilizar a aplicação do STAYAWAYCOVID. É a recomendação que podemos fazer e o governo não pode fazer mais do que isso, mas entendemos que era necessário submeter à Assembleia da República uma proposta para tornar obrigatória a utilização quer da máscara quer da aplicação. Acho que é um debate que existe. Se me pergunta se é uma proposta que eu gosto, não, não gosto", confessou Costa recuperando o conteúdo da proposta de lei entregue hoje pelo governo na Assembleia da República que obriga à utilização da aplicação de rastreio, assim como a utilização de máscara na via pública, bem como coimas para quem não cumprir estas situações.

O chefe do governo português sublinha que não gosta de proibições, mas diz que "não podemos estar impávidos a assistir a um aumento crescente dos números". "Não sou nenhum juiz de censura. Eu também estou [cansado]. Ao longo destes meses todos fomos acumulando cansaço e fadiga relativamente a estas medidas, a estas restrições que existem. É normal que haja esse cansaço", explicou, salientanto, no entanto, que "seria irresponsável da minha parte assistir ao crescente da pandemia e não agir".

"Eu não gosto destas soluções. Acho que é melhor as pessoas usarem máscaras de livre vontade do que nós o estarmos a impor. E eu prefiro que as pessoas utilizem a aplicação STAYAWAYCOVID de livre vontade do que a estar a impor. Uma coisa que eu constato é que a pandemia está a crescer porque tem havido um relaxamento do comportamento das pessoas e hoje dependemos determinantemente do comportamento das pessoas e isso implica colocar regras", afirma, sublinhando, no entanto, que "é impensável que haja uma solução que viole a proteção de dados".

Questionado pelos jornalistas se entende as críticas que têm sido feitas à proposta de lei do governo que a apelidam de autoritária, o primeiro-ministro responde retoricamente: "Pergunta-me se foi autoritário, também foi autoritário manter os bares encerrados, também é autoritário ter posto o encerramento de muitas empresas, também foi autoritário impedir as pessoas de circularem para fora do concelho no período da Páscoa. Nós teremos de ser tão menos autoritário quanto mais as pessoas aderirem voluntariamente".

"Eu odeio ser autoritário, eu não quero ser autoritário", sublinha, deixando um aviso para daqui a dois meses, altura do Natal, celebração que não vai poder ocorrer nos mesmos moldes.

“É inimaginável adotarmos no Natal medidas tão drásticas e autoritárias como as que adotámos na Páscoa ao proibir as pessoas de se deslocarem de um concelho para o outro”, garante.

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