"Não queria ficar na História como o responsável por um agravamento da pandemia, ao nível nacional. Nem eu nem o Santuário [de Fátima]", disse o cardeal António Marto, que falava numa conferência de imprensa sobre o motivo de a peregrinação internacional de maio, que começa hoje, decorrer sem peregrinos e não se ter optado por outra solução que garantisse o distanciamento físico entre participantes.

O bispo de Leiria-Fátima contou que, após as declarações da ministra da Saúde, em que tinha admitido a possibilidade de haver celebrações desde que cumprindo determinadas regras, recebeu diversos e-mails que o desafiavam a "manifestações de força".

"A Igreja não vai por aí. A fé não se mede pelas multidões", vincou António Marto, referindo que, apesar de vários e-mails agressivos "e até ofensivos", recebeu também várias manifestações de apoio à decisão do Santuário de realizar as celebrações sem peregrinos.

Na resposta à pergunta, o cardeal realçou também que "uma coisa são manifestações de caráter sindical ou político, outra coisa são as responsabilidades da Igreja".

"Não podemos comparar aquilo que é incomparável", comentou.

Segundo António Marto e de acordo com as informações que recolheu junto das autoridades de saúde, o risco de contágio caso tivesse aberto a peregrinação internacional de maio a peregrinos seria "muito elevado".

"Numa manifestação destas era imprevisível poder saber que multidão vinha e como gerir isso. Nós não temos convidados selecionados como acontece em certas manifestações. Para nós, isso era impossível. Teríamos também de salvaguardar o distanciamento físico e não podia caber muita gente. Porque é que entravam uns e outros não? Seria, porventura, um caos", salientou.

Questionado sobre o impacto económico da pandemia em Fátima, António Marto explicou que o Santuário vive das ofertas, assim como as paróquias e as dioceses, e, "por conseguinte, vai ressentir-se".

No entanto, notou, o Santuário de Fátima tem capacidade económica para fazer face à pandemia, continuando a pagar o vencimento aos seus cerca de 350 funcionários, sendo "uma questão de honra não despedir funcionários", não tendo recorrido ao ‘layoff’ até à data.

Portugal contabiliza 1.163 mortos associados à covid-19 em 27.913 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

O país entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

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