Em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento, adiantou que há “quatro a cinco dezenas de situações” de processos disciplinares contra motoristas, na sequência de incumprimentos durante a greve de sete dias em agosto, alguns deles “ridículos”.

Na reunião de hoje com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), para retomar as negociações do acordo coletivo de trabalho, foi também discutida, segundo Francisco São Bento, a calendarização das próximas reuniões.

O dirigente sindical destacou também o “clima de paz social” que se verifica agora entre patrões e motoristas, depois de um conflito laboral que levou à intervenção do Governo, no papel de mediador.

Contactado pela Lusa, o advogado da Antram, André Matias de Almeida, esclareceu que ficou assumido o compromisso por parte daquela associação de sensibilizar os seus associados a analisarem os processos disciplinares que estão em curso, sublinhando que, se tais processos são “ridículos”, “então não há porque temê-los”.

Matias de Almeida acrescentou ainda que este é um “compromisso das partes”, uma vez que os motoristas alvo de processos disciplinares terão também de trabalhar a fim de “restabelecer a confiança junto dos empregadores”.

Na quinta-feira, tem lugar, no Ministério das Infraestruturas, uma reunião do grupo de trabalho criado pelo Governo no final de agosto, constituído por representantes do executivo e de várias entidades, entre elas a Antram e o SNMMP, que tem como objetivo avaliar as condições de cargas e descargas nos operadores logísticos e portos marítimos.

O Governo justificou a criação deste grupo com o facto de as operações de cargas e descargas serem “uma das grandes preocupações do setor do transporte rodoviário de mercadorias” e tendo em conta que “a revisão da forma e do tempo em que estas operações ocorrem podem trazer melhorias na rentabilidade das empresas e na jornada laboral dos trabalhadores”.

O SNMMP e a Antram assinaram um acordo de princípio em 07 de setembro que levou à desconvocação da greve ao trabalho extraordinário, fins de semana e feriados, cujo início esteve previsto para as 00:00 daquele dia e que se deveria prolongar até dia 22 de setembro.

A decisão de fazer uma nova greve, depois de uma paralisação de sete dias em agosto, surgia em resposta “à intransigência da Antram em não aceitar” os “princípios básicos e legais” que os motoristas consideravam essenciais “como ponto de partida para a mediação negocial”, conforme explicou na altura o sindicato.

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