A população da freguesia de Arranhó, em Arruda dos Vinhos, recusou hoje, numa consulta popular, a eventual localização na freguesia de uma Estação de Tratamento e Valorização Orgânica da Valorsul, disse o seu presidente.

O presidente da Junta de Freguesia de Arranhó, Pedro Mateus (PS), disse à agência Lusa que, na consulta popular, participaram 829 dos mais de dois mil eleitores e, desses, 765 votaram no “não” e 60 no “sim”.

Registaram-se ainda três votos nulos e um branco.

O resultado da consulta popular vai ser analisado na segunda-feira, em reunião pública e descentralizada da câmara municipal, a acontecer naquela freguesia.

Promovida pela autarquia, a consulta popular decorreu entre as 08:00 e as 19:00 nas habituais mesas de voto, respondendo à pergunta: “Concorda com a eventual instalação pela Valorsul da Estação de Tratamento e Valorização Orgânica (ETVO) na Zona Industrial de Reciclagem (ZIR) na freguesia de Arranhó?”.

“Há a necessidade de a junta de freguesia dar parecer e para o efeito este executivo precisou de ouvir a população sobre um projeto que não constou dos programas eleitorais”, não se limitando à posição dos eleitos no executivo e na assembleia de freguesia, justificou à agência Lusa o autarca.

Nas últimas reuniões de câmara, o presidente da câmara, André Rijo (PS), esclareceu que a Valorsul, empresa que gere e trata dos resíduos nos concelhos da região, abordou há três meses o município sobre a eventual localização de uma RTVO em Arranhó, a par de outras localizações em Vila Franca de Xira e Loures, que está a equacionar.

Como pretende que seja um processo transparente e com a participação da população, adiantou que o parecer do município será em consonância com o da freguesia, defendendo que “nunca uma infraestrutura desta envergadura pode ser executada e instalada sem o acolhimento da população”.

Este município do distrito de Lisboa já promoveu visitas de autarcas locais à RTVO da Valorsul na Amadora.

Ainda sem qualquer projeto ou estudo prévio e avaliação de impacto ambiental, o autarca explicou que se trata de um investimento de 100 mil euros e que vai ser maior do que a da Amadora, que trata por ano 40 mil toneladas de resíduos.

Como a intenção é tratar 100 mil toneladas de resíduos a partir de 2026 e a RTVO da Amadora não pode ser ampliada por falta de espaço, a Valorsul pretende investir numa outra RTVO para recolher os resíduos da região Oeste sul.

Questionada pela Lusa, a Valorsul confirmou que a “nova instalação é imprescindível para o aumento futuro de quantidades a recolher”.

Contudo, “a infraestrutura a ser construída ainda se encontra em fase preliminar de estudo e não existem, a esta data, quaisquer projetos concluídos ou localizações decididas, estando a estudar os “cenários possíveis”.

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