A atriz morreu na segunda-feira “de causas naturais” durante o sono, na casa onde residia em Thousand Oaks, no estado norte-americano da Califórnia, anunciou a filha Tere Carrubba.

“Ela sempre foi muito boa em proteger o legado dos meus avós e garantir que eles fossem sempre lembrados”, acrescentou Tere Carrubba, uma das três filhas de Patricia Hitchcock.

Conhecida por muitos como Pat Hitchcock, a filha única do realizador britânico e da editora e argumentista Alma Reville Hitchcock nasceu em Londres, em 1928, e dedicou grande parte da vida aos negócios da família.

Durante a infância de Patricia, Alfred Hitchcock (1899-1980) realizou filmes como “Os 39 degraus”, “Desaparecida” ou “Mentira”, tendo-se mudado para a Califórnia depois de assinar contrato com o produtor David O. Selznick com o qual ganhou fama mundial e ficou conhecido como “O mestre do suspense”.

Pat Hitchcock, que na adolescência frequentava os ‘sets’ dos filmes do pai, atuou também em peças da escola e noutros trabalhos de palco, como nas produções da Broadway “Solitaire” e “Violet”.

Em 1947, foi admitida na Academia Real de Artes Dramáticas de Londres, e estava prestes a concluir os estudos quando o pai lhe comunicou que tinha um papel para ela no filme “O Desconhecido do Norte Expresso”.

Adaptado do romance Patricia Highsmith, o filme estreou-se em 1951 e foi protagonizado pelos atores Robert Walker e Farley Granger nos papéis de dois estranhos que se encontram num comboio e concordam com um duplo homicídio: Walker matará a esposa de Granger e Granger matará o pai de Walker. Pat Hitchcock interpreta a irmã de uma mulher interpretada pela atriz Ruth Roman, por quem Granger estava apaixonado.

Patricia Hitchcock O’Connell desempenhou papéis noutras obras realizadas pelo pai, como “Pânico nos Bastidores” ou em “Psico”, no qual interpretava o papel de uma colega da atriz Janet Leigh.

Mais recentemente, Patricia Hitchcock O’Connell trabalhou para a revista Alfred Hitchcock’s Mystery Magazine, apareceu em vários festivais de cinema e em vários documentários do pai, tendo contribuído com fotografias e com um prefácio para o livro “Footsteps in the Fog: Alfred Hitchcock’s San Francisco” (“Passos na névoa: Alfred Hitchcock San Francisco”, numa tradução livre”), de Jeff Kraft e Aaron Leventhal.

A filha única do “mestre do terror” foi ainda coautora de um livro sobre a mãe, “Alma Hitchcock: The Woman Behind the Man” (“A mulher por trás do homem”, numa tradução livre).

Foi casada durante mais de 40 anos com Joseph O’Connell, que morreu em 1994, com quem teve três filhos.

Patricia O´Connell insistia que a sua infância fora feliz e que os seus pais eram normais, mas não foi poupada à natureza controladora do pai assim como ao sentido de humor distorcido e, por vezes, cruel do realizador.

Na juventude, costumava tomar as refeições sozinha, foi enviada para um internato e privada de educação universitária quando seu pai decidiu que ela deveria voltar para Inglaterra. A atriz viria também a lamentar que o pai não a tivesse escolhido para mais filmes: “Eu certamente gostaria que ele tivesse acreditado em nepotismo”.

Em casa, Alfred Hitchcock terá certa vez pintado um rosto de palhaço na cara da filha enquanto esta dormia, antecipando o choque que sofreria quando acordasse na manhã seguinte e se olhasse ao espelho.

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