O “SOS” que pretendem lançar através desta iniciativa, vai ser dado no domingo, em Montalvão, no concelho de Nisa, distrito de Portalegre, no decorrer de um encontro onde também será debatida a falta de acessibilidades, situação que condiciona a ligação destas zonas separadas pelos rios Tejo e Sever.

“A desertificação é um problema e este encontro serve para alertar para as nossas necessidades, e uma das formas de evitar o isolamento é através de ligações que possam juntar estas três regiões”, disse o presidente da Junta de Freguesia de Montalvão, José Possidónio, em declarações à agência Lusa.

A construção de uma ligação ou a abertura diária da ponte que liga Montalvão à povoação espanhola de Cedillo (Cáceres) é uma das principais reivindicações dos autarcas.

Enquanto os governos de Espanha e de Portugal não avançam com nenhum projeto, as populações dos dois lados da fronteira “apenas se cruzam” aos fins de semana, quando a empresa hidroelétrica espanhola Iberdrola retira os cadeados dos portões e reabre ao trânsito a ponte situada na confluência dos rios Tejo e Sever.

As duas comunidades distam a 15 quilómetros uma da outra, mas durante a semana as populações têm que percorrer cerca de 120 quilómetros para poderem conviver ou efetuar trocas comerciais.

“A primeira hipótese que custava menos dinheiro era a abertura da atual ponte diariamente, a segunda hipótese passa por fazer uma ponte entre o Alto Alentejo e a Beira Baixa”, disse.

“Em último recurso”, acrescentou, o autarca considera que poderia avançar o projeto antigo da ponte de Cedillo (projeto que não foi desenvolvido por falta de entendimento entre o governo espanhol e a oposição).

“Nos anos 60 do século passado, Montalvão tinha mais de três mil habitantes e agora tem cerca de 300”, lamentou ainda José Possidónio, que espera que este “SOS” contribua para inverter a situação.

A reunião, que vai decorrer na Casa do Povo de Montalvão, tem como objetivo encontrar “soluções endógenas” para “combater a erosão demográfica”, com maior destaque para a questão das acessibilidades rodoviárias.

Nesse sentido, estão a ponderar avançar para a criação de uma “frente de cooperação transfronteiriça”, através do surgimento de um “Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial”, para defender os seus interesses.

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