A Junta de Freguesia da Azambuja fez esta quinta-feira uma publicação na sua conta oficial de Facebook onde declarou que o atual executivo “terá em consideração na escolha dos artistas o facto de os mesmos se terem ou não manifestado contra as nossas tradições”.

A publicação, entretanto apagada, foi feita em reação ao envio de uma carta aberta assinada por 240 personalidades — e escrita em conjunto com a ONG Animal —, dirigindo-se ao Ministro de Estado e das Finanças, João Leão, e ao Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, pedindo para que a RTP deixe de transmitir touradas.

Junta de Freguesia da Azambuja

O manifesto — assinado por figuras como Adolfo Luxúria Canibal, Albano Jerónimo, António Victorino d’Almeida, Bárbara Bandeira, Dulce Maria Cardoso, Fernando Alvim e Rita Blanco — pugna por uma “Televisão pública livre da transmissão de espectáculos que se baseiam na violência contra animais e normalizam tais comportamentos, como, por exemplo, sucede na tauromaquia”.

Ao jornal Público, a Presidente da Junta de Freguesia da Azambuja, Inês Louro, rejeitou estar a promover uma ação de censura, sublinhando que a posição anti-touradas será “um critério a ter em conta” para a contratação de artistas.

A autarca justificou esta posição, lembrando que a Nossa Senhora da Assunção — o evento anual organizado pelo executivo, em setembro — é organizada em torno da “religião e da tauromaquia” e vários dos parceiros estão ligados à atividade tauromáquica.

Frisando que “ganadarias no concelho, grupos de forcados e várias colectividades ligadas ao mundo da tauromaquia” fazem parte da festa, Inês Louro sugere até que os artistas anti-touradas podem ser recebidos de forma hostil — tanto na festa da Nossa Senhora da Assunção como nas Festas de Maio, organizadas pela Câmara Municipal. “Qual o artista signatário da carta aberta que quererá participar nesta festa?”, deixa como pergunta.

Eleita pelo PS em 2017, Inês Louro desvinculou-se do partido no decurso do mandato e vai candidatar-se nas eleições autárquicas deste ano à Câmara Municipal da Azambuja, pelo Chega. Ao diário, confirmou que, se for eleita, vai manter a mesma posição pois “garantidamente ninguém brincará com a identidade cultural” do concelho.

Alguns dos subscritores da carta aberta reagiram à tomada de posição da junta. O guionista e radialista Nuno Markl fez uso da sua conta de Instagram para lamentar que “um artista ter uma opinião contra as touradas vale lista negra na Azambuja” — e já depois da entrevista de Inês Louro, disse-se “triste do sítio que se defina apenas por uma única coisa”.

Já o humorista Diogo Faro considera que ”a presidente da Junta de Freguesia da Azambuja deve estar a confundir o seu cargo público com a gerência de uma qualquer tasca” pois “arroga-se no direito de escolher ou vetar artistas consoante a opinião que estes tenham sobre touradas”.

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