O BE começou o penúltimo dia de campanha das eleições de domingo com uma visita à Associação Portuguesa de Surdos, em Lisboa, para se inteirar dos principais problemas que enfrenta esta comunidade em Portugal, pretendendo dar visibilidade aos problemas desta comunidade.

“Não há ninguém em Portugal que deva ficar sujeitado a uma cidadania de segunda e, portanto, o compromisso do BE para com as pessoas com deficiência e para com as pessoas que, de alguma forma, são dependentes, é total”, assegurou Catarina Martins, em declarações aos jornalistas, após uma reunião na qual conheceu, com o auxílio de um intérprete de língua gestual portuguesa, os principais problemas que estas pessoas lidam todos os dias.

O BE, de acordo com a sua líder, não aceita que “as medidas mais simples de inclusão e de respeito pelas pessoas com deficiência e diversidade funcional fiquem sucessivamente também fechadas em gavetas”.

“Estamos aqui para dizer que toda esta gente que faz este país escolhe no domingo o caminho e o próximo Governo”, apelou, prometendo que as pessoas com deficiência não serão esquecidas.

Na reunião que os bloquistas esperam ter com o PS a seguir às eleições para negociar “um contrato para o país”, quem “tem sido esquecido estará nas mesas de negociações com a força que o Bloco tiver no domingo”.

“Essa será a força contra o esquecimento, contra o que fica invisível. Todas as pessoas devem ser respeitadas no país e não aceitamos mais que fiquem invisíveis ou que as medidas prometidas nunca saiam do papel”, enfatizou.

Insistindo na necessidade de responder “pelas pessoas que têm sido esquecidas”, Catarina Martins afirmou que não podem ser mantidas “situações de invisibilidade, de apoios que são prometidos, de medidas que dizem que vão ser implementadas e que depois nunca mais chegam ao terreno”.

“A comunidade surda é uma das comunidades que tem razão de queixa e tem sido esquecida. Nós temos trabalhado já há bastante tempo com a comunidade surda e foi possível, por exemplo, garantir que a linha do SNS 24 passasse a ser também acessível pelas pessoas surdas que era uma exigência muito básica do acesso à saúde”, exemplificou.

No entanto, a líder do BE referiu que “o 112 não é acessível e, portanto, numa emergência uma pessoa surda não tem forma de contactar, não tem forma de pedir ajuda e essa é apenas uma das muitas dimensões em que as pessoas surdas não estão a ser respeitadas”.

“A promessa de uma escola bilíngue com inclusão para as crianças e jovens surdos na verdade não está a ser respeitada e é incompreensível que em pleno século XXI as pessoas com deficiência, com diversidade funcional, tenham tanta dificuldade nas mais variadas ações do quotidiano”, condenou.

Entre estes exemplos de dificuldade está a resolução de “alguma coisa como uma repartição de finanças”, a comunicação com o médico ou enfermeiro ou a situação de isolamento a que ficam votadas as pessoas mais velhas em lares uma vez que não têm “ninguém com quem comunicar”.

“E o que acontece com a comunidade surda, em que o que está na lei não tem sido respeitado e em que sucessivamente nos orçamentos se aprovam medidas para responder às pessoas, mas depois é esquecido, tem acontecido em tantos setores”, lamentou.

Catarina Martins deu precisamente o exemplo da deputada e candidata do BE por Setúbal, Diana Santos, que sendo tetraplégica passou por “um martírio” para chegar à associação “porque os passeios da rua não cumprem as condições de acessibilidade”.

“A associação cumpre, mas a autarquia não cumpre”, afirmou, considerando incompreensível que “a vida seja tão difícil para quem tem uma deficiência”.

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